Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10174/40227

Title: Português de Angola e Literatura Angolana: entre norma e variação
Authors: Fonseca, Maria
Issue Date: 27-Jan-2025
Abstract: As duas linhas de orientação temática fornecidas para este workshop – “The Ambiguous Role of Portuguese” e “Angolan Bantu Languages” – são bem elucidativas da complexidade linguística de um país onde a norma-padrão oficial (a do português europeu, PE) coexiste com uma “norma” nacional em formação e ainda não oficial (a do português de Angola, PA). No presente trabalho, propõe-se que a língua literária faça parte desta equação. É certo que, acrescentar a esta problemática (i.e., PE a par de PA e, por outro lado, norma europeia a par de variedade nacional), a reflexão sobre uma componente da língua escrita que é de natureza estética, pode aumentar a entropia. A língua literária é complexa per si e usá-la para a descrição linguística é metodologicamente discutível (Gonçalves 2013: 162), dada a ideia generalizada de que os corpora literários são mais representativos de factos idiossincráticos do que de dados linguísticos reais. Mas, no contexto da crescente maturidade dos estudos sobre o PA, propõe-se o recurso à língua literária como espaço de legitimação da variação linguística. Do ponto de vista linguístico, não é irrelevante o facto de vários escritores angolanos (Pepetela, Agualusa, Ondjaki) terem sido distinguidos com prémios literários. A literatura, como a imprensa, é um meio de estabilização e difusão da norma, tanto quanto fator de mudança da língua. No campo lexicográfico, sabe-se que o Vocabulário Ortográfico do Português de Moçambique usa fontes literárias moçambicanas e qualquer dicionário geral do português contemporâneo (como o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, 2001, Academia das Ciências de Lisboa) documenta abonações linguístico-literárias sintagmáticas, além de lexicais, de escritores portugueses, africanos e brasileiros. Assim, dados morfossintáticos que venham a ser atestados na literatura produzida em Angola podem constituir subsídios para a descrição de uma “norma culta” do PA, como assumem alguns investigadores angolanos (Undolo, Timbane & Kimuenho 2023) ao defenderem uma variedade do PA com base em dados escritos e orais de falantes mais escolarizados. Perpétua Gonçalves fez “uma aproximação língua-literatura” através de obras de Mia Couto e de Luandino Vieira, os quais “fazem parte do grupo de escritores que não adoptam integralmente a norma europeia no seu discurso literário” (Gonçalves 2000: 216), muito embora os dois, sendo falantes nativos do português, assumam a variação como exercício literário e, portanto, o seu papel como instâncias de validação. Por razões diferentes, a língua literária nem sempre reflete, com a mesma incidência, características dos corpora orais espontâneos. Identificar quais destas características, designadamente ao nível sintático, têm expressão na língua literária interessa para configurar uma norma nacional, que está em progressiva fase de consolidação. Tendo em vista verificar índices desta consolidação, o presente trabalho analisa, em obras recentes da literatura angolana (publicadas por volta da década de 2020), fenómenos sintáticos já estudados como diferenciadores da variedade angolana, alguns deles integrando um continuum linguístico do português em Angola e Moçambique. Entre outros dados linguísticos, serão analisados alguns dos seguintes, bem conhecidos: (i) a “dinâmica da pronominalização” (Miguel 2003), que conhece um número significativo de trabalhos descritivos; (ii) o “nominal complemento directo/indirecto” (Mingas 2000) e a ocorrência nula de objetos diretos (Neves, Henriques & De Almeida 2023); (iii) as especificidades de complementos verbais preposicionados e, mais genericamente, de estruturas argumentais verbais (Cabral 2005; Adriano & Suelela 2022). As obras estudadas são de quatro escritores angolanos com diferentes perfis sociolinguísticos, uma vez pertencentes a gerações diferentes, oriundos de geografias diversas e falantes do português ora como língua materna, ora como língua segunda: Pepetela e Agualusa, nascidos no período colonial, respetivamente em Benguela e Huambo; Ondjaki e Gociante Patissa, filhos da independência, nascidos em Luanda e Benguela, respetivamente; Patissa é falante nativo de umbundu, enquanto os outros três autores têm o português como língua materna.
URI: https://www.romanistik.de/aktuelles/8057
http://hdl.handle.net/10174/40227
Type: lecture
Appears in Collections:CEL - Comunicações - Em Congressos Científicos Internacionais

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