Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10174/14749

Title: A sociedade bejense de meados do século XIX à Primeira República: elites e vida associativa
Authors: Marques, Paula Cristina Alvito
Advisors: Stock, Maria José
Fonseca, Helder
Keywords: Sociedade portuguesa
Elites
Beja (Portugal)
1850-1910
Issue Date: 1997
Publisher: Universidade de Évora
Abstract: Introdução - O propósito deste trabalho consistiu em estudar um dos espaços de sociabilidade bejense, no período que medeia entre a data da fundação da sociedade em causa, 1854, e o ano que marca o início da Primeira República (1910). Em virtude das transformações radicais provocadas pelo regime republicano em todas as esferas da sociedade,considerámos a data limite do estudo em 1910, desta forma, esta delimitação temporal permite-nos acompanhar a evolução que se fez sentir na cidade no período da Regeneração, que proporcinou ao País uma relativa estabilidade. Como factores que determinaram a escolha deste estudo de caso, salientamos o interesse suscitado pela temática da sociabilidade, uma vez que existem poucos trabalhos nesta área. Cumpre acrescentar que o interesse por este tema foi suscitado pela historiografia francesa na década de sessenta, a partir desta data desenvolveram-se debates tendo em vista a comparação dos resultados, principalmente, na Alemanha e Suiça. Em Portugal apesar de se ter manifestado interesse por esta questão, ainda persistem muitas lacunas nesta área. O estado incipiente da investigação histórica,no que se refere à região do Baixo-Alentejo e à cidade de Beja em particular, foi outra das condicionantes que determinaram a escolha deste tema. Pretendemos, com este trabalho, enriquecer a história local e contribuir para dar a conhecer o esplendor adquirido no século passado pela Sociedade Bejense procurando desta formaychamar a atenção para a importância desta instituição em termos sociais. Este destaque ficou a dever-se aos membros que constituíam a sociedade, por serem estes os agentes dinamizadores de todo um conjunto de actividades que lhe conferiam prestígio. A análise do tema implica uma breve descrição dos aspectos mais importantes que caracterizam a cidade neste período. No entanto, os elementos que dispomos relativamente à população e economia referem-se, sobretudo, ao ano de 1845, pelo que nos dão uma perspectiva da situação vivida em Beja antes da fundação da Sociedade Bejense. Começamos por fazer referência à população existente em Beja no ano de 1845:"existiam 4.118 fogos e cerca de 8.000 almas". Em termos de economia, acrescentamos que "a agricultura é a única fonte de riqueza d'este fertilíssimo torrão". Importa referir que em 1862, cerca de 70% da população activa do distrito de Beja ocupou o sector primário,apenas 22% da população se dedicava ao sector secundário e 9% trabalhava no sector terciário. No que diz respeito ao sector agrícola e em virtude da sua importância, consideramos relevante especificar esta análise. Desta forma, acrescentamos que existiam em Beja no ano de 1845, quatrocentos proprietários e em todo o concelho este número aumentou para mil e quinhentos. O número de lavradores na cidade era de quarenta e oito e no concelho eram cerca de trezentos e cinquenta, face ao predomínio das actividades relacionadas com o sector agricola, é de assinalar a pouca representatividade das restantes profissões. Para completar a caracterização económica de Beja, importa referir que a indústria estava pouco desenvolvida, apesar de existirem "officinas de ourives e de merceneiros, duas fábricas de solla, algumas de tijolo, telha, cal e louça de grosseiro barro, nada mais se pode mencionar... ". Acrescentamos que a indústria que estava relacionada com o sector agrícola se encontra também extremamente atrasada,embora existissem condições para que esta se desenvolvesse:"... clima excellente,fertílissimos terrenos, abundância d' agoas ;e a par destas vantagens phisicas,não nos falta o engenho,não caraceis de natural talento”. Relativamente ao comércio, este encontra-se numa situação estacionária, sem que impere o desenvolvimento, situação que se ficou a dever a vários factores, nomeadamente"as ruins estradas, o nenhum espírito de associação e a falta absoluta de indústria". Recorremos a uma citação proveniente de uma notícia jornalística da época, por nos parecer espelhar concretamente a situação da cidade na segunda metade do século XIX: "...Beja não podia dormir por mais tempo reciclada ... sobre as glórias do passado ...cidade opulenta, capital de um dos mais importantes distritos do reino, não podia deixar de aspirar à glória de entrar na Liga Civilizadora deste século ,que tem por cortejo as luzes e a instrução ... ". O parágrafo anterior permite-nos concluir que Beja reuniu condições que lhe permitiram acompanhar as transformações próprias do liberalismo.Interessa descrever quais as inovações operadas na cidade e os efeitos destas transformações no dinamismo que se implementou. Começamos por salientar que foram criadas na cidade as infraestruturas consideradas essencias ao progresso da cidade ,das quais fez parte a maior implementação de escolas. A este propósito o jornal faz um apelo á necessidade de desenvolver o ensino, "Aulas, escholas, lyceus, bibliothecas, theatros, exemplos, estímulos, tudo falta, de tudo carece esta mísera província, tão pobre e tão necessitada de tudo ".
URI: http://hdl.handle.net/10174/14749
Type: masterThesis
Appears in Collections:BIB - Formação Avançada - Teses de Mestrado

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