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Title: Estudo de factores que influenciam a mortalidade de leitões Alentejanos: comparação com um genótipo convencional
Authors: Charneca, Rui
Keywords: Suínos
Raça Alentejana
Leitões
Mortalidade
Colostro
Issue Date: 2010
Abstract: A raça suína Alentejana (AL) apresenta uma produtividade numérica substancialmente inferior à verificada em genótipos suínos convencionais de produção intensiva. Dois dos principais contribuintes para essa reduzida produtividade são a sua baixa prolificidade e uma elevada taxa de mortalidade dos leitões, entre o nascimento e o desmame. O presente estudo teve como objectivo o estudos de factores influenciadores da mortalidade pós-natal em leitões de raça Alentejana (AL) em comparação com leitões dum genótipo convencional (C, cruzados de Large-White x Landrace). Foram estudadas 45 porcas e respectivas ninhadas de cada genótipo. Exceptuando os períodos de parto e lactação, as porcas AL foram conduzidas num sistema extensivo característico da região Alentejana. No estudo dos parâmetros reprodutivos e produtivos em cada um dos genótipos verificou-se que, comparativamente ao genótipo convencional C, as porcas AL apresentaram gestações cerca de 4 dias mais curtas (110,9±0,3 vs 115,1±0,2 dias, P <0,001) e ninhadas (nascidos vivos) mais pequenas (8,0±0,4 vs 12,0±0,4 leitões, P <0,001). Os leitões AL foram mais leves ao nascimento (1106±23 vs 1344±23g, P <0,001) e apresentaram um menor ganho médio diário entre o nascimento e os 21 dias (163±3,4 vs 207±2,7g/dia, P <0,001) que os leitões C. A taxa de mortalidade dos leitões nascidos vivos entre o nascimento e os 21 dias foi 68% superior entre os leitões AL comparativamente à verificada entre os leitões C (27,0% vs 16,1%, P <0,001). O estudo da composição corporal ao nascimento de leitões AL e C revelou que as carcaças dos leitões AL continham mais matéria seca (22,5±0,3% vs 21,4±0,3%, P <0,05) e proteína bruta (13,3±0,3 vs 12,1±0,3%, P <0,01) e tenderam a apresentar maior teor de lípidos totais (1,69±0,09 vs 1,46±0,09%, P <0,10). O peso relativo do fígado (g/kg de peso ao nascimento) também foi mais elevado nos leitões AL (34,7±1,1 vs 30,5±1,1g, P <0,05). As concentrações plasmáticas ao nascimento de glucose, albumina e Insulin-like growth factor -1 (IGF-1) foram superiores nos leitões AL, comparativamente aos leitões C. Este conjunto de resultados indicam que os leitões AL se podem considerar mais maduros e com reservas energéticas similares ao nascimento que os leitões C, apesar do menor período de gestação dos primeiros. Do estudo da produção de colostro pelas porcas e a sua ingestão pelos leitões nas primeiras 24h após o início do parto salientamos a menor produção de colostro pelas porcas AL comparativamente à verificada nas porcas C (2528±150 vs 3093±150g, P <0,05). O tamanho e peso das ninhadas influenciavam significativamente a produção de colostro nos dois genótipos. Em ambos os genótipos a produção de colostro foi positivamente relacionada com o ganho de peso das ninhadas entre o nascimento e os 21 dias (R2=0,671; P <0,001) indicando uma estreita relação entre a produção de colostro e a produção de leite. Em média, os leitões AL ingeriram menos colostro que os leitões C (288±14 vs 338±13g, P <0,05) embora a ingestão, expressa por kg de peso ao nascimento, tivesse sido idêntica nos dois genótipos (P> 0,05). A ingestão de colostro pelos leitões foi positivamente correlacionada com o peso dos leitões ao nascimento, mas não dependia da ordem de nascimento dos leitões ao longo do parto. O estudo da composição do colostro e leite e da imunização dos leitões revelou que o colostro e leite das porcas AL e C apresentaram uma composição equivalente à classicamente descrita para estas secreções em fêmeas suínas. O colostro das porcas AL era, no entanto, mais rico em proteína e em IgG que o colostro das porcas C. Os leitões AL apresentaram, aos 2 dias de idade, níveis de imunidade passiva (IgG sérica, IgG2) superiores aos verificados nos leitões C (30,2±1,1 vs 26,6±0,9 mg/ml, P <0,05). A maior imunização passiva dos leitões AL comparativamente aos leitões C poderá ser explicada conjuntamente pela maior riqueza em IgG no colostro das porcas AL, menor nível de competição pelo acesso às mamas (ninhadas mais pequenas) e pela menor duração dos partos das porcas AL. Os valores de IgG2 estavam fracamente correlacionados com a ingestão de colostro em ambos os genótipos, no entanto, nos leitões C verificou-se uma correlação positiva entre a IgG2 e o peso ao nascimento dos leitões (r=0,24; P <0,01) e negativa com a sua ordem de nascimento ao longo do parto (r= -0,26; P <0,01). As concentrações séricas de IgG aos 28 dias de idade (IgG28) estavam significativamente correlacionadas (r=0,63 nos leitões AL e r=0,61 nos leitões C; P <0,001) com as concentrações séricas de IgG aos 2 dias de idade O estudo da mortalidade e dos factores que a influenciam mostrou que a mortalidade foi particularmente elevada no primeiro dia pós-parto período em que, relativamente à mortalidade total em 21 dias, se perderam 51% dos leitões AL e 34,2% dos leitões C. Em ambos os genótipos, os factores que mais a influenciam a mortalidade quer até às 24h, quer entre as 24h e os 21 dias, foram o peso ao nascimento dos leitões (PN) e o seu ganho de peso entre o nascimento e as 24h (ou até à morte se anterior) por kg de peso ao nascimento. Tomando como PN de referência um valor frequentemente utilizado em estudos de mortalidade de leitões, de 1kg, verificou-se que a maior mortalidade entre os leitões AL poderá ser explicada, pelo menos parcialmente, pela maior proporção de leitões leves (com PN inferior a 1kg) comparativamente ao verificado nos leitões C. Ao longo da presente dissertação são sugeridos estudos adicionais para melhor compreensão de todos os aspectos desta problemática, preferencialmente a conduzir em condições de produção “outdoor”.
URI: http://hdl.handle.net/10174/2479
Type: doctoralThesis
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ICAAM - Formação Avançada - Teses de Doutoramento

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