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Title: Walke wyde in wordys: contributo para a análise linguística de dialogue concerning heresies de sir Thomas More
Authors: Gonçalves, Olga Maria Tabaco Pereira Mateus Baptista
Advisors: Ferreira, Júlia Dias
Keywords: Walke wyde in wordys
Contributo para a análise linguística
Dialogue concerning heresies
Sir Thomas more
Issue Date: 2005
Publisher: Universidade de Évora
Abstract: "Sem resumo feito pelo autor"; Thomas More, reconhecidamente uma das personalidades mais destacadas do século XVI, tem sido objecto de inúmeros estudos nos quais a sua imagem é iluminada em diversos ângulos. Com efeito, aquele que foi o primeiro autor inglês a ser afectado quer pelo humanismo renascentista quer pela Reforma inglesa, como um defensor intransigente do lado católico, tem sido apresentado ora como mártir, santo e imaculado, apanhado nas teias da eclesiologia e dando a cabeça às forças que não controlava, ora como um advogado leigo ao serviço da repressão católica, extraordinariamente intolerante, capaz de ódios profundos e implacáveis para com os Protestantes (hereges no seu entender) a ponto de, na sua qualidade de Lord Chancellor, julgar e condenar alguns à fogueira. Este vulto maior da história inglesa - humanista, homem de estado, político e advogado sempre disposto a tudo argumentar -desempenhou muitos papéis de relevo e foi autor de muitas máscaras, de muitas personae, no decurso da sua vida, permanecendo, contudo, e apesar da extensa investigação de que tem sido alvo, uma personalidade complicada e enigmática. Complicação e enigma que pessoalmente reconhecemos mas que não tentamos justificar ou deslindar no tempo que levamos de leitura de algumas das suas obras escritas em inglês. Caminhando pacientemente nas suas palavras, habituámo-nos, pelo contrário, a conviver com a alteridade do seu eu e a respeitá-la sem a problematizar. Daqui se depreende que o propósito deste trabalho não é nem o de reflectir sobre qualquer aspecto biográfico nem o de insistir sobre outro qualquer aspecto já bem explorado por autores de reconhecido mérito, caso, por exemplo, de Germain MarcHadour, que se debruçou sobre a influência da Bíblia nas obras de Thomas, More ou de André Prévost cujo objectivo foi uma reflexão sobre o papel desempenhado por esta figura maior na crise da consciência europeia. Não será também propósito deste trabalho investigar a intervenção politico-social desta personalidade, chanceler-mor do reino. Não será finalmente objectivo deste trabalho emitir qualquer julgamento acerca do seu carácter, factor que justifica as suas intervenções e as legitima, mas que transcende, pela sua própria natureza, um trabalho de carácter linguístico. O objectivo global que nos move é antes o de estudar o léxico que usou numa das suas obras literárias mais importantes - A Dialogue Conceming Heresies, escrita em inglês em 1528 e ilustrativa da polémica religiosa e política cultivada naquela época. Trata-se, com efeito, de um objectivo que cremos pertinente uma vez que as edições críticas de que temos conhecimento e com as quais vimos trabalhando não consideram a análise lexicométrica que nos propomos fazer e que neste trabalho apresentaremos. A finalidade do nosso estudo de carácter linguístico, reiteramo-lo, assentará em dados reais pois todo o trabalho terá como base única as palavras realmente proferidas pelo autor nas circunstâncias particulares que as motivaram e que, como já dissemos, constituem o corpus sobre o qual incidirá a nossa pesquisa. Pretendemos, pois, verificar o modo como o pensamento de Sir Thomas More se concretiza em palavras que, não sendo sujeitas a vigilância constante, deixam inevitavelmente perceber as verdadeiras intenções do locutor. Tentaremos igualmente verificar de que forma elas se articulam e dão forma às intenções enunciativas de um autor que se dirige a um vasto e variado Auditório. Pensamos, assim, que o estudo de natureza linguística que empreenderemos poderá dar um contributo válido para o estabelecimento de uma base descritiva mais detalhada, pondo em relevo, de algum modo também, o amplamente reconhecido valor literário da obra em causa. Subjacente à escolha de Dialogue Conceming Heresies como corpus de base a este estudo não foi indiferente, num primeiro momento, o facto de já termos analisado Dialogue of Confort against Tribulation, outra obra maior deste autor na qual baseámos o estudo para a nossa dissertação de mestrados. Com efeito, se nesse momento o desejo de aprofundar o conhecimento do discurso desta personalidade marcante era considerável, o mesmo revelou-se ainda maior à medida que fomos recolhendo e armazenando informação. Cresceu também na justa proporção em que o diálogo entre autor e leitor se foi estreitando pela leitura de alguns dos seus textos e pelas análises de críticos das mais variadas proveniências de que tomámos conhecimento. Neste processo longo e moroso fomos vítimas, reconhecemo-lo hoje, da tríade de prova de Aristóteles - ethos, pathos e logos - sem que, no entanto, tivéssemos imediatamente consciência disso. Na verdade, o procedimento aristotélico usado pelo autor desses textos, ou seja, a prova pelo carácter, pela emoção e pelo raciocínio (lógica dos seus argumentos), provocou em nós um impacto que nos leva a reconhecer, séculos após o seu desaparecimento, um poder de persuasão único. É esse poder de persuasão, materializado no uso da palavra, o desafio, também ele único, que nos leva a querer saber mais sobre a capacidade da sua manipulação num tempo afastado, com o objectivo de preservar a fé católica num ambiente conturbado por pressões de outras fés. Dependentes deste desafio, e como primeiro passo para a realização do estudo a que nos propomos, adquirimos o corpos pois que as edições entretanto consultadas na British Library e na Senate House para o efeito não puderam, por imposição estatutária respectiva, ser reproduzidas na sua totalidade. Devemos, no entanto, referir que esta opção se revelou de dificil concretização dado a obra de Thomas More não estar disponível em toda a sua totalidade nas várias livrarias consultadas, portuguesas e inglesas. Na verdade, após aturada pesquisa, só com o apoio directo da livraria inglesa Dillons conseguimos localizá-lo num depósito central de distribuição de livros em Londres. Nesta sequência, o texto que analisamos corresponde à segunda edição datada de 1531 e é editado como Volume 6, Parts I and II, da The Yale Edition of the Complete Works of St. Thomas More (New Haven. Yale University Press) 1981. Uma vez conseguido o meio, as decisões metodológicas e analíticas a tomar posteriormente prenderam-se directamente com a natureza e dimensão do mesmo. Como o título denuncia, a forma ficcional usada foi a de diálogo tendo sido nossa intenção primeira respeitar esse estatuto. Contudo, e após termos tentado proceder à separação das falas dos interlocutores, verificámos que essa tarefa não seria fácil uma vez que o texto não respeita o formato reconhecido hoje como diálogo, sem que, no entanto, deixe de o ser. Reconhecemo-lo nas intervenções de dois locutores em confronto, efectuando, trocas verbais que, na realidade, não chegam a concretizar-se. Trata-se assim de uma situação em que a verdade e a verosimilhança não coincidem, assumindo, consequentemente, significados diversos. Por isso, e ao constatar a existência de diálogos vários dentro do diálogo primeiro, nos quais outras vozes, para além das iniciais, se fazem ouvir, decidimos integrar a polifonia existente na obra numa única voz - a do autor. Considerámos, com efeito, que Thomas More usou a forma dialogai espelhando certamente os muitos interrogatórios de suspeitos hereges que presenciou ou a que procedeu.
URI: http://hdl.handle.net/10174/11350
Type: doctoralThesis
Appears in Collections:BIB - Formação Avançada - Teses de Doutoramento

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