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Title: O Alqueva e as aves da bacia do Guadiana: Impactos e opções de gestão
Authors: Rabaça, João Eduardo Morais Gomes
Advisors: Palmeirim, Jorge Manuel
Keywords: O Alqueva e as aves
Bacia do Guadiana
Impactos
Opções de gestão
Issue Date: 2003
Publisher: Universidade de Évora
Abstract: A implementação do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (UMA) irá provocar um conjunto apreciável de impactos sobre o património natural. A área submersa correspondente à albufeira de Alqueva ocupará uma superfície de cerca de 250 Km2 e inclui habitais importantes para diversas espécies tais como montados, matagais mediterrânicos, estepes cerealíferas, zonas arbustivas e corredores ripícolas. Os impactos sobre o património natural nacional não se confinam apenas à área de regolfo da albufeira, mas a uma escala mais vasta cujos limites não são ainda claramente previsíveis. Como objectivos gerais, pretendemos com o presente estudo (1) disponibilizar informação de índole biológica relativamente a alguns aspectos dos impactos da barragem de Alqueva na avifauna e (2) propor algumas acções com vista a uma gestão apropriada do património ornitológico da bacia do Guadiana. No sentido de tentar identificar as espécies de aves consideradas prioritárias em termos de conservação associadas à bacia do Guadiana, procedemos à aplicação de um sistema de valorização global das espécies e posterior avaliação de prioridades de conservação. Foram utilizadas para aplicação do sistema de ordenação todas as espécies de aves que se sabe ocorrerem regularmente (excluímos as espécies de ocorrência ocasional) na bacia portuguesa do Guadiana, à excepção daquelas que em Portugal, Espanha e Europa estão classificadas como taxa Não Ameaçados em termos do seu Estatuto de Conservação. O sistema de ordenação utilizado assenta no pressuposto de que o esforço de conservação de uma dada espécie numa determinada região deverá depender não só da sua sensibilidade biológica, mas também da importância relativa que a região tem para a sua conservação, ou seja da relevância das suas populações ou do seu estatuto biogeográfico. Com base no resultado da ordenação apresentada, analisamos a situação de algumas das espécies consideradas como prioritárias na área de influência da barragem de Alqueva. De entre as espécies de aves referenciadas para a bacia do Guadiana, o Rouxinol-do-mato Cercotrichas galactotes e a Toutinegra-tomilheira Sylvia conspicillata são duas espécies de Passeriformes cujas populações nacionais serão mais afectadas negativamente pelo EFMA. De resto, o Rouxinol-do-mato será provavelmente o Passeriforme mais afectado pelo empreendimento, tendo em conta que uma fracção apreciável dos efectivos da espécie se encontra associada às linhas de água do vale do Guadiana. Nesse sentido, procurámos (1) conhecer a distribuição de ambas as espécies na área de influência da barragem, (2) determinar alguns aspectos da biologia de reprodução e (3) avaliar os impactos da implementação do UMA nas suas populações. A construção da barragem de Alqueva irá provocar modificações no regime hidrológico do Guadiana as quais se traduzirão em alterações de magnitudes diversas no estuário, nomeadamente redução dos caudais, diminuição da frequência dos episódios de cheia e progressão para montante da cunha salina. Estas alterações poderão ter implicações, por exemplo, na dinâmica dos sedimentos, nos sapais e na exploração salineira, pelo que se afigura essencial compreender como poderão as diferentes biocenoses estuarinas vir a ser afectadas. No âmbito deste estudo, interessou-nos em particular avaliar os eventuais impactos na avifauna associada ao estuário do Guadiana. Nesse sentido, procurámos avaliar o tipo de utilização das zonas de sedimentos expostos (principalmente vasa) e de salinas pelas aves aquáticas, e avaliar a importância e o tipo de utilização dos sapais pela comunidade de aves a estes associada. A importância das salinas como áreas de alimentação e como locais importantes para a reprodução de algumas espécies será também alvo de análise. Foram efectuadas contagens directas das aves aquáticas presentes em zonas intertidais da margem direita do estuário do Guadiana e em complexos de salinas. A área de estudo foi visitada durante os meses de Agosto e Setembro de 2000 (período de passagem pós-nupcial), de Dezembro de 2000 e Janeiro de 2001 (período de Inverno), em Abril e Maio de 2001 (época de reprodução e de passagem pré-nupcial) e em Agosto e Setembro de 2001 (período de passagem pós-nupcial). Em cada um destes períodos foram efectuadas quatro amostragens, que duraram em média quatro dias cada. No que respeita às áreas de sapal, foram efectuados transectos durante os períodos de Inverno de 2000/2001 (Dezembro e Janeiro), Primavera (Abril e Maio) e Verão de 2001 (Agosto e Setembro), de forma a caracterizar a sua utilização funcional pelas aves. Os resultados da aplicação do sistema de ordenação à avifauna da bacia do Guadiana parecem sugerir que a hierarquização obtida reflecte com alguma consistência a sensibilidade e relevância relativas das espécies na região estudada. As espécies consideradas como extintas ou possivelmente extintas na área de estudo são as que apresentam um Valor da Espécie mais elevado (Aegypius monachus, Aquila adalberti, Pterocles alchata e Neophron percnopterus). Além disso, as espécies que apresentam valores mais elevados do índice de Relevância são aquelas para as quais a bacia do Guadiana apresenta uma importância relativa apreciável para a conservação das suas populações nacionais (Calandrella rufescens e Pterocles alchata, mas também Hippolais pallida, Cercotrichas galactotes e Sylvia conspicillata). Adicionalmente, das 10 primeiras espécies da ordenação, 9 estão classificadas como Em Perigo ou Vulnerável (CABRAL et al. 1990), facto que poderá sugerir uma boa indicação por parte do sistema relativamente a espécies com um Estatuto de Conservação crítico, embora a opção inicial em não incluirmos na análise todas as espécies condicione esta apreciação. A implementação da albufeira de Alqueva terá um forte impacto negativo na população nacional do Cercotrichas galactotes. Desde logo porque na área de regolfo de Alqueva deverão nidificar 100-200 pares reprodutores, ou seja cerca de 5% das estimativas para o efectivo nacional. Esse impacto traduzir-se-á em perda directa de habitat, alteração da matriz do território e redução de habitat disponível. A espécie ocorre muito associada às linhas de água, com densidades que variam entre o,57 pares/10 ha e 0,13 pares/10 ha, embora os valores mais elevados tenham sido registados em vinhedos (1,50 pares/10 ha). Relativamente a Sylvia conspicillata, a espécie apenas ocorre e nidifica sob a forma de um pequeno núcleo populacional (densidade de 0,21 pares/10 ha, média de 2000 e 2001) localizado e confinado a uma zona de pousios antigos com manchas esparsas de matos baixos dominados por Ulex eriocladus, situada no vale da rib.ª de Alcarrache. A problemática da conservação da espécie parece carecer da adopção de medidas de protecção do habitat e de um conhecimento mais detalhado dos factores de regulação populacional. No que respeita ao estuário do Guadiana, os resultados obtidos permitem constatar que o Verão e o Inverno foram os períodos que apresentaram uma maior abundância de aves aquáticas. Este facto deve-se essencialmente à presença de espécies migradoras, em particular de limícolas, que ocorrem nas principais zonas húmidas portuguesas principalmente durante o Inverno e durante as suas migrações dos locais de reprodução para os locais de invernada que, no nosso país, ocorrem sobretudo nos meses de Agosto e Setembro. Pela sua elevada abundância merecem especial destaque o Pilrito-comum Calidris alpina, a espécie mais abundante durante os meses de Inverno, e o Maçarico-de-bico-direito Limosa limosa, a espécie mais abundante durante o período de passagem. Embora a maioria das espécies de aves aquáticas ocorra tanto nas salinas como nas zonas de vasa no período de baixa-mar, as densidades encontradas nas áreas de sedimentos expostos foram claramente superiores. Não obstante, existe uma proporção considerável de aves que durante a baixa-mar se encontram nas salinas em alimentação, facto que sugere que as salinas de Castro Marfim constituem áreas alternativas (ou complementares) de alimentação para muitas aves aquáticas.
URI: http://hdl.handle.net/10174/11113
Type: doctoralThesis
Appears in Collections:BIB - Formação Avançada - Teses de Doutoramento

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