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    <dc:date>2026-06-24T21:51:34Z</dc:date>
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    <title>Paris, África : Cruzeiro Seixas e o fim da Colónia</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10174/42244</link>
    <description>Title: Paris, África : Cruzeiro Seixas e o fim da Colónia
Authors: Santos, José Rodrigues dos
Abstract: Este texto estuda os contextos individuais e sociais  em Portugal, Angola e Paris, nos quais viveu A. Cruzeiro Seixas. Pintor, amigo dos surrealistas, incapaz de encontrar lugar que o acolha de verdade em Lisboa , ou seja no Portugal dos anos 50 onde se sente "sufocar", e parte para longe.  Um primeiro périplo o conduz de Portugal a Angola, Moçambique, Índia, etc., etc., e o traz, no que devia ser o regresso a Portugal, aos cais de Angola. Mas Cruzeiro não chega a África. Entre ela, desejada, fantasia de menino e jovem que mamou as imagens do Estado Novo e o andarilho, interpõe-se A Colónia. É o simulacro, é a realidade reticular, hiper-real, de uma cidade e seus pseudópodos que flutuam no tempo e pairam a distância infinitesimal, mas decisiva, da Terra: África. A Colónia é um décor, um cenário para um filme trágico cujo argumento ninguém quer ler, porque o genérico de Fim, óbvio, fatídico, comporta a evaporação repentina da Grande Ilusão. Cruzeiro permanecerá em Angola até 1963, momento em que começam a tentar recrutá-lo para as "milícias de brancos", numa guerra que é racial antes de se tornar guerra de independência. &#xD;
Em 1961 a guerra torna-se luta pela abolição da Colónia o que quer dizer: expulsão dos brancos, destruição do décor, evaporação do simulacro de Florida californiana. Esta destruição será, à escala histórica quase instantânea e absoluta (um ou dois anos e "nada deve ficar") o que a torna, para os viviam na e pela Colónia, definitivamente incompreensível. Sublinho, porque a incompreensão dura até hoje nos que  a viveram, como só o pode ser o Fim de um (do) Mundo. Cruzeiro, desafecto a esse mundo colonial que foi dele sem o ser, parte em 1963. Tinha partido de Portugal pintor. Regressa poeta. Se a África nunca se esvai do seu corpo e da sua alma, é porque a paixão o transformou. Examino os contextos: tentativas usrrealistas no Portugal sob chapa de chumbo, desejo de evasão, fascínio por Paris. Cruzeiro escolhe, ou é escolhido pela África, que "foi o [seu] Paris". Impregnado pelo que viveu em Angola, saturado de africanidade, Cruzeiro volta a Portugal nos anons da louca mobilização guerreora. E viaja, por seu turno, para Paris. Examino com algum detalhe o contexto parisiense ao qual chega Cruzeiro. Numa visão de conjunto, comparo o &#xD;
 Grande Périplo de Cruzeiro que se desenha em simetria o destino de Rimbaud, Rimbaud abandona de rompão Paris, Londres, os seus amores e sobretudo, definitivamente, a poesia. A África será para Rimbaud a maneira de se evadir da poesia, de se perder para sempre. O abandono da poesia é sem regresso possível, as erranças de Rimbaud e os seus retornos falhados, sem apelo.&#xD;
Em Cruzeiro, simetricamente, a África fez do pintor um poeta. É no longe e no terrivelmente diferente que o homem metropolitano a sufocar em Lisboa encontra o pleno impulso criador. Escreve como nunca antes, pinta, tem Áfricas em todos os poros da pele, nasceu. Regressa ao ponto de partida por fim consciente da sua via e da sua vida.</description>
    <dc:date>2025-01-01T00:00:00Z</dc:date>
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  <item rdf:about="http://hdl.handle.net/10174/40014">
    <title>Heritage processes: rituals, spirits and pantheons</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10174/40014</link>
    <description>Title: Heritage processes: rituals, spirits and pantheons
Authors: Santos, José Rodrigues dos
Abstract: In the first part of this study, I adopted the proposition, previously put forward by other scholars (see, for example, the Colloquium Chastel 1990), that there is a correlation between heritage and the sacred. I then examined the similarities between the processes of patrimonialisation and sacralisation. &#xD;
This idea led me to examine Chastel's analysis of the sacrificial nature of patrimonialisation, accepting its presuppositions (relationship to the sacred, consecration ritual) but challenging the idea that sacrificial objects are the costs of heritage conservation. In this first part, I have shown that the sacrificial object can only be the heritage object itself, while at the same time trying to demonstrate that the famous Denkmalkultus (Riegl) is not a cult of the monument, but a cult of memory to which the monument is consecrated. The monument thus appears in the cult of the monument as an object of mediation between society (and its privileged agents in charge of the cult) and the extra-natural entities to which the sacrifice is addressed. As a first approximation, and to evoke P. Nora's expression (“lieux de mémoire”), I have called these entities the “gods of memory”.</description>
    <dc:date>2024-01-01T00:00:00Z</dc:date>
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  <item rdf:about="http://hdl.handle.net/10174/36643">
    <title>7. Emancipação feminina - uma escala pela antropologia</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10174/36643</link>
    <description>Title: 7. Emancipação feminina - uma escala pela antropologia
Authors: Santos, José Rodrigues dos
Abstract: O impacto extraordinário que viria a ter, quase de imediato, a legalização da contracepção oral (primeiro, comparticipada pela Segurança Social e em seguida, gratuita!), escapou, segundo Françoise Héritier1, aos que foram responsáveis pela decisão política. Já citámos - e relembramos - o "paradoxo" que espanta FH: "A concessão paradoxal às mulheres do instrumento da sua emancipação".&#xD;
"Este instrumento de emancipação foi concedido às mulheres praticamente por engano (...) No espírito dos parlamentares, o acesso à contracepção era um meio de regulação dos nascimentos que ia ser confiado à mulheres, nunca uma alavanca para acederem à autonomia e à liberdade". O efeito mais importante à escala global foi o de potenciar o decréscimo da taxa de natalidade, que outros factores (como o crescente acesso das mulheres à educação e ao mercado do trabalho) já tinham lançado. Em todos os países ocidentais, de onde partiu a "revolução" reprodutiva, a natalidade desceu abaixo do nível de renovação das gerações. Efeito macrossocial que, por resultar da agregação de decisões individuais, passou despercebido dos agentes, nomeadamente das mulheres e dos seus companheiros.</description>
    <dc:date>2023-11-06T00:00:00Z</dc:date>
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  <item rdf:about="http://hdl.handle.net/10174/36523">
    <title>2.- Uma visão "materialista" da emancipação das mulheres (2ª parte)</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10174/36523</link>
    <description>Title: 2.- Uma visão "materialista" da emancipação das mulheres (2ª parte)
Authors: Santos, José Rodrigues dos
Abstract: A acompanhar a melhoria que acima evocámos, (ver nota*) com desfasamentos variáveis no tempo e no espaço, veio a das condições materiais gerais de existência (não específicas da condição feminina) que também já fomos evocando antes (fim das fomes recorrentes, progressos da medicina, melhoria das habitações - água corrente, esgotos e bem mais tarde, é certo, a electrificação). Menos facilmente percepcionado foi o paralelismo entre o aumento da produtividade industrial (mecanização, automatização) e o aumento da produtividade do trabalho doméstico, que foi difícil considerar como verdadeiro trabalho. O acesso à rede eléctrica e a mecanização de muitas tarefas domésticas marcaram um salto tecnológico (e o consequente aumento da produtividade) que terá tido lugar na segunda metade do século XX. Acrescentado ao movimento que vinha de longe, foi ele que libertou em proporções decisivas o tempo de trabalho doméstico que pesava sobre as mulheres e tornou possível a aceleração do seu ingresso em massa no mercado do trabalho assalariado (com taxas de actividade que de 33% no início do século XX sobem para quase 80% no presente).</description>
    <dc:date>2023-09-04T23:00:00Z</dc:date>
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