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  <title>DSpace Collection:</title>
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  <id>http://hdl.handle.net/10174/282</id>
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    <title>Elites e Educação. Percursos escolares e profissionais. Alentejo séculos XIX e XX.</title>
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      <name>Gameiro, Fernando Luís</name>
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    <updated>2015-10-12T08:51:07Z</updated>
    <published>2014-10-06T23:00:00Z</published>
    <summary type="text">Title: Elites e Educação. Percursos escolares e profissionais. Alentejo séculos XIX e XX.
Authors: Gameiro, Fernando Luís
Abstract: A tese examina a relação entre as elites e a educação em Portugal durante a Monarquia Constitucional e na Iª República.&#xD;
Em primeiro lugar caracteriza o quadro europeu no qual emergiram os modernos sistemas de ensino, focando-se depois na análise dos processos de segmentação que separaram o ensino clássico do ensino técnico, passando em revista a literatura sobre o reformismo educativo português.&#xD;
Em segundo, analisa o processo de segmentação na cidade de Évora, capital de uma região caracterizada pela prática de uma agricultura essencialmente extensiva e comercial, na qual estavam implantadas as instituições de ensino que constituem o objeto de estudo: o Liceu e a Escola Industrial.&#xD;
Em terceiro, procede à caracterização dos espaços escolares; em quarto estuda as condutas públicas dos agentes educativos, em particular dos reitores e dos professores, colocando em destaque a sua intervenção pública; em quinto, caracteriza a procura a que foram sujeitos os vários institutos de ensino estudados: a ênfase foi colocada na mobilidade geográfica aferida a partir da naturalidade dos alunos e da residência dos pais; em sexto, foi efetuada a análise da extração social dos alunos e o perfil ocupacional dos pais.&#xD;
Finalmente, em último lugar, foram reconstituídos os percursos académicos e profissionais dos alunos liceais no arco cronológico antes enunciado.</summary>
    <dc:date>2014-10-06T23:00:00Z</dc:date>
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    <title>Honra, Mercê e Venalidade: as Ordens Militares e o Estado Moderno em Portugal (1641-1789)</title>
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      <name>Olival, Maria Fernanda de</name>
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    <updated>2014-06-17T09:46:36Z</updated>
    <published>1999-01-01T00:00:00Z</published>
    <summary type="text">Title: Honra, Mercê e Venalidade: as Ordens Militares e o Estado Moderno em Portugal (1641-1789)
Authors: Olival, Maria Fernanda de
Abstract: "Sem resumo feito pelo autor"; –  Apesar das mudanças dos últimos tempos, continua a conhecer-se muito pouco sobre o significado social e político dos hábitos das Ordens Militares, designadamente no período posterior à anexação perpétua destes institutos à Coroa portuguesa.&#xD;
Os capítulos da História da Igreja em Portugal, de Fortunato de Almeida, cuja primeira edição começou a ser publicada em fascículos, em 1909, foram ainda muito recentemente considerados os grandes textos de referência sobre as Ordens Militares. Quanto mais não seja, oferecem uma síntese que, apesar de fragmentária e frágil, tem sido difícil de destronar.&#xD;
Paralelamente, num campo temático no qual a erudição positivista de finais de Oitocentos e inícios do século XX pouco legou, começam apenas agora a fazer-se os primeiros trabalhos de base, em Portugal. Cite-se, a título exemplificativo, o quase vazio em torno de instituições tão importantes para este efeito, como foram a Mesa da Consciência ou o Juízo dos Cavaleiros.&#xD;
A herança historiográfica mais remota destes institutos, quer em Portugal, quer&#xD;
no resto da Europa do Sul, é extremamente complexa e pouco ou nada aporta de&#xD;
profícuo. Passa por duas tendências básicas. Em primeiro lugar, um conjunto de&#xD;
ideias-feitas que reputam de "degeneração", "decadência" e "laicização" o percurso&#xD;
destas milícias praticamente a partir do século XIII. Estas referências foram-se&#xD;
cimentando, desde que os monges-guerreiros abandonaram o campo de batalha e a&#xD;
partir das queixas dos homens de Quinhentos sobre a grande abertura social destas&#xD;
Ordens no extremo ocidental da Península Ibérica. Considerava-se que, terminada&#xD;
a Reconquista, as Ordens Militares tinham entrado em processos que eram&#xD;
frequentemente lidos e classificados com a rotulagem acima enunciada. No mínimo,&#xD;
constitui uma estranha ironia dizer-se que já estavam em decadência no século XIII,&#xD;
quando sobreviveram até 1834.&#xD;
A segunda grande marca forjou-se pela via da apropriação política do passado&#xD;
destas instituições, sobretudo entre as décadas de 20 e 60 do século XX. Ocorreu&#xD;
não só em Portugal, mas também em Espanha e Itália, com impacte semelhante nas&#xD;
respectivas historiografias. E também por isso durante longos anos as Ordens&#xD;
Militares Portuguesas apenas foram estudadas até à sua vinculação à Coroa. Só o&#xD;
passado medieval despertava interesse. Oferecia um excelente quadro para&#xD;
recrutar heróis, símbolos, motes e lendas destinados a alimentar o discurso político.&#xD;
A partir daí, a ideia vigente assentava nos três substantivos acima referidos ou no&#xD;
argumentar com o desaparecimento destes institutos. Resumia-se tudo ao facto de&#xD;
terem perdido a razão de ser, concluída a Reconquista; a anexação dos três&#xD;
Mestrados à Coroa apenas sancionava esse processo. Com este remate, acabavam&#xD;
de existir. A ter sido assim, torna-se inexplicável - uma vez mais - por que motivos&#xD;
apenas foram extintos em 1834, e por que o foram.&#xD;
Tal como em Espanha ou Itália, também em Portugal o interesse por estas&#xD;
instituições após a sua vinculação à Coroa surgiu não há muitos anos. Dois artigos&#xD;
de Francis A. Dutra foram publicados nos Estados Unidos ainda nos anos 70&#xD;
.&#xD;
Seguiu-se depois um longo hiato. Só na segunda metade da década de 80, recomeçaram a aparecer alguns trabalhos; realizou-se também um congresso sobre Ordens Militares (Palmela, 1989), cujos referentes temporais não abarcavam apenas a Idade Média. Nos anos 90, não só tiveram continuidade os Encontros de Palmela (1992 e 1998), e investidos duma dimensão internacional, como foram lançados vários cursos e projectos sobre o assunto. Apareceram, também, duas revistas especializadas sobre estas questões, uma delas ligada a um Seminário Internacional, bem como uma página na Inter-net. É também de assinalar a criação do referido Seminário em 1996, no Porto, bem como do Gabinete de Estudos sobre a Ordem de Santiago, em 1997. Geraram-se, desta forma, espaços de debate e mecanismos de divulgação da problemática inerente às Ordens Militares. A própria Torre do Tombo inventariou o fundo da Mesa da Consciência e tratou de oferecer algumas melhorias nos instrumentos de descrição relativos aos conventos implicados.&#xD;
Fundamentalmente, nos últimos 12 a 15 anos, criaram-se condições e instrumentos básicos de trabalho e tratou-se de desencadear o interesse pelo conhecimento destas instituições. Os resultados de todos estes esforços, por incipientes que sejam, começam a fazer-se notar.&#xD;
A bibliografia mais recentemente editada permitiu alguma abertura do quadro problemático, além de chamar a atenção para a importância das Ordens Militares na sociedade portuguesa do Antigo Regime. Em primeiro lugar, foram dados contributos decisivos no sentido de desbloquear as tais ideias feitas de "degeneração", "decadência" e "laicização". Acresce ainda que, a problemática a partir da qual têm sido abordados os três Mestrados alterou-se radicalmente: deixou de ser indispensável explicar que, para boa parte dos membros das Ordens&#xD;
Militares portuguesas, professar não significava um afastamento do mundo, mas, ao invés, o corroborar de uma trajectória ascendente e honrosa, a aposta na ascensão, ou o consolidar de um estatuto social - consoante o patamar de partida; por outras palavras, vingou já a noção de que os hábitos destes cavaleiros obtinham-se dominantemente a troco de serviços e não por fervor religioso. Nesta sequência, de capítulos de histórias da Igreja, as Ordens Militares (séculos XVI a XVIII) passaram a ser questionadas, cada vez mais, no âmbito de trabalhos de história social e política.&#xD;
Estas mudanças, no entanto, têm levado tempo a frutificar. São, ainda, conquistas muito encerradas quase só no baluarte da literatura cinzenta. Basta referir que nas três Histórias de Portugal recentemente editadas, em nenhuma delas as Ordens Militares mereceram grandes cuidados. A incorporação dos Mestrados passa como se praticamente não tivesse existido ou tivesse sido pouco consequente.&#xD;
2. Neste trabalho, parte-se da hipótese experimental de que o Estado Moderno Português se terá consolidado em torno de realidades afins como a ideologia do serviço/recompensa, os laços múltiplos de interdependência e valias (muitos vezes ditos "clientelares"), bem como o poder da Monarquia sobre amplos recursos, de diversificada natureza, entre os quais se contavam as Ordens Militares de Avis, Cristo e Santiago. Foi também com base na permanente transformação deste legado medieval que se terão sustentado novas forças sociais, fidelidades e relações políticas. Ao que tudo indica, pelo menos nos séculos XVI a XVII, nenhum príncipe da Cristandade parecia dispensar a tutela do tipo de instituições aqui abordadas, qualquer que fosse a sua origem - fossem Ordens Militares ou de Cavalaria. Quem não as tinha, criava-as. E a mesma observação é válida para o&#xD;
século XVIII europeu. Certamente, seriam importantes veículos de poder. Resta saber como e em que circunstâncias. Eis, assim, o quadro exploratório de partida.&#xD;
Acresce que, no caso português, as três Ordens seriam particularmente significativas neste domínio. Havia, aliás, uma consciência clara da sua relevância. Cerca de 1736, escreveu, com discernimento, D. Luís da Cunha: "O fundo que V. Sa. apontou das tres ordens militares he tal que nenhum outro principe o tem, porque as ordens, com que honrão os seus sugeitos, depois de muitos annos de serviço, não são acompanhadas, nem de tantas nem de tão fortes comendas como as nossas; antes se lhes poem pensoens, a que dão este nome". Como se refere, o peso das comendas era tão marcante nestas milícias, que em muitas Ordens de Cavalaria europeias, os seus instituidores tentavam imitá-las; faziam-no no título e tentavam também aproximar-se dos seus conteúdos, através de pensões, como indicava o diplomata, ou através de outros subterfúgios. Mesmo as quatro Ordens Militares das Coroas de Castela e Aragão tinham muitos menos comendas - cerca de 196, em 1616, o que representava cerca de um terço das portuguesas.</summary>
    <dc:date>1999-01-01T00:00:00Z</dc:date>
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    <title>Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Industrial no Portugal Oitocentista (O caso dos Lanifícios do Alentejo)</title>
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    <author>
      <name>Barata, Ana Maria dos Santos Cardoso de Matos Temudo</name>
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    <id>http://hdl.handle.net/10174/11034</id>
    <updated>2014-06-16T11:52:56Z</updated>
    <published>1997-01-01T00:00:00Z</published>
    <summary type="text">Title: Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Industrial no Portugal Oitocentista (O caso dos Lanifícios do Alentejo)
Authors: Barata, Ana Maria dos Santos Cardoso de Matos Temudo
Abstract: "Sem resumo feito pelo autor"; - Os historiadores da economia têm-se preocupado em analisar as razões do atraso económico português. Tomam normalmente esse atraso como decorrente de uma multiplicidade de factores: o carácter arcaico da economia portuguesa, em que até muito tarde o predomínio de uma agricultura tradicional continuou a ser a nota dominante; a dependência face aos outros países; a desorganização da política que marcou a primeira metade do século XIX; e as políticas económicas seguidas pelos governos oitocentistas.&#xD;
Como referiu Peter Mathias em 1972, os historiadores económicos quando se interessam pela história da ciência fazem-no "for his own utilitarism prurposes", ou seja preocupam-se em saber em que medida a ciência teve influência na mudança dos processos tecnológicos e, mais especificamente, até que ponto a Revolução Industrial Inglesa esteve associada ao desenvolvimento científico 1.&#xD;
Na maior parte dos estudos realizados sobre o caso português o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e as possibilidades de transmitir e aplicar novas técnicas são, em geral, remetidas para plano secundário 2.&#xD;
Ao analisar as ligações entre a ciência e o desenvolvimento da tecnologia as posições dos historiadores não têm sido unâmimes. Se alguns consideram, pelo menos até meados do século XIX, pouco significativas as ligações entre ciência, tecnologia e desenvolvimento económicos, outros consideram mais estreitas essas ligações.&#xD;
Peter Mathias, "Who unbound Prometheus?. Science and tecnhical change 1600-1800", in Peter Mathias (ed), Science and Society. 1600-1900, Cambridge, 1972, p. 54.&#xD;
2 Refira-se, no entanto, que nos últimos anos têm surgido importantes trabalhos em que estas questões são abordadas, como é caso do trabalho de Jorge Pedreira, Estrutura industrial e mercado colonial. Portugal e o Brasil (1780-1830), Lisboa, Ed. Difel, 1994.&#xD;
3 Vejam-se os casos de A. R. Hall. The Historical Relations of Science and Tecnhology, Londres, 1962; David Landes, The Unbound Promotheus. Technological Change and Industrial Development.&#xD;
Os estudos mais recentes quer de historiadores económicos, quer de&#xD;
historiadores da ciência e da tecnologia têm feito intervir um número maior de&#xD;
variantes nas relações entre ciência/tecnologia e desenvolvimento económico. A análise deixou de considerar apenas as influências mais ou menos directas entre uma e outra para passar a privilegiar aspectos como a atitude científicas, a existência de sociedades vocacionadas para a produção de uma ciência aplicada e nas quais&#xD;
conviviam homens com formações e interesses diversos, a difusão da ciência, a&#xD;
criação de um ambiente intelectual mais predisposto para a aplicação de novos&#xD;
conhecimentos, as ligações entre os homens de indústria e os cientistas ou o papel&#xD;
desempenhado pelos homens de ciência no desenvolvimento económico dos países. Por outro, lado os estudos realizados em torno da evolução tecnológica têm in Westem Europe froco 1750 to the Present, Cambridge, 1969; John D. Bemal, Science in history&#xD;
Veja-se T.S. Asthon, A Revolução Industrial, Lisboa, Publicações Europa América, 1977 , A. E. Musson e E. Robinson "Science and Industry in the late 18th Century", Economic History Review, XIII&#xD;
(1910), A. E. Musson e E. Robinson, Science and tecnology in the Industrial Revolution, Manchester,&#xD;
1957, Maurice Daumas, "The History of Technology: its Aims, its Limits, its Methods", in A. Rupert Hall&#xD;
and Norman Smith (ed.), History of Tecnhology, London, 1976, pp. 851112.&#xD;
Veja-se, por exemplo, a obra J. Sanmartín, S.H. cutcliffe, S.L. Goldman, M. Medira (ed.), Estudios&#xD;
sobre sociedad y tecnologia, Barcelona, Ed. Anthropos, 1992.&#xD;
 "scientific altitudes were much more widespread than scientific knowiedge. Attitutes of challenging&#xD;
traditional authority, deciding lines; of development by observation, testing, exprimentation and&#xD;
adopting - indeed, actively stimulating the development of -scientif devices such as the thermometer&#xD;
and hydrometer, wich enable industrialist to reduce their empírica/ pratices to role wherever possible,&#xD;
were certainly being strengthened". Peter Mathias, "Who unbound Prometheus?. Science and&#xD;
tecnhical change 1600-1800", ob. cit., p. 79.&#xD;
Peter Mathias, "Who unbound Prometheus?. Science and tecnhical change 1600-1800", ob. cit., p.80. Sobre o assunto veja-se, também, Bemadette Bensaude-Vincent e Isabelle Stengers, Histoire de La chimie, Paris, ed. La Decouverte, 1993, pp. 1213 e Antonio Lafuente y Juan J. Saldara, (coord.),&#xD;
Historia de Las Ciências, Madrid, C.S. I.C., 1987.&#xD;
Demonstrado a necessidade de os articular com a evolução das técnicas de organização social.&#xD;
Na primeira parte deste trabalho pretendemos analisar até que ponto Portugal estava desfasado em termos científicos e tecnológicos daquilo que era feito nos outros países da Europa, procurando analisar as possibilidades de circulação e transmissão desses conhecimentos e a aproximação que, ao longo do período em análise, se verificou entre o mundo científico e a actividade económica e política. Análise que passa necessáriamente pela acção das instituições públicas e privadas como as academias, as sociedades e as associações, e das estruturas administrativas como a Junta do Comércio ou o Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, e pelo papel desempenhado pelas principais individualidades ligadas a essas instituições.&#xD;
No início do primeiro capítulo procuramos fazer uma aproximação à importância que a ciência e tecnologia, enquanto promotoras e incentivadoras do desenvolvimento industrial, tiveram no discurso dos homens e das instituições públicas e privadas de finais do século XVIII e do séc. XIX. Esta análise ainda que não seja exaustiva permite-nos perceber a forma como a sociedade, ou pelo menos alguns dos representantes da élite científica, económica e política do país, se posicionaram face a estas questões.&#xD;
A química foi uma das ciências que durante o período da nossa análise foi objecto de um importante esforço de sistematização e definição dos seus objectos e métodos de análise. Por essa razão e porque foi uma das ciências cujos avanços mais condicionaram o desenvolvimento industrial - sobretudo a nível de sectores como os lanifícios que são o objecto de análise da segunda parte deste trabalho -, O estudo da difusão da arma de fogo portátil na Europa realçou a necessidade de estudar em conjunto a evolução da "técnica instrumental" e das técnicas de organização social. Luis Pablo Martínez Sanmartín, "Historia de Ia Técnica. Quê es? En quê contribuye a clarificar Ias relaciones entre tecnologia y sociedad? Cuáles son sus Imitaciones? Hay alternativas?", Estudios sobre sociedad y tecnología, ob. cit., p.28.&#xD;
incluímos um ponto sobre as ligações entre a química e a indústria. Como referia em&#xD;
1814 o Investigador Português em Inglaterra,&#xD;
"Entre as Ciências, que têm atraído a maior atenção dos sábios, a Química é sem dúvida a principal. E não é sem razão que ela é cultivada com tanta parcialidade, quando consideramos que nenhuma outra ciência compreende um tão vasto número de objectos; que ela é a primeira coluna das mais úteis e necessárias artes; e que sem as suas luzes nunca haveríamos obtido os ricos e inestimáveis frutos que tão eficazmente tem cooperado para o nosso engrandecimento tanto moral, como físico".&#xD;
O séc. XIX aliou a ideia de progresso à componente tecnológica e a máquina passou a ser o símbolo do progresso10. A apologia das vantagens da mecanização das actividades económicas foi um discurso que percorreu todo o século XIX, ainda que paralelamente alguns autores colocassem reticências a essa mecanização e outros relembrassem as desvantagens sociais da mesma. As possibilidades de idealizar, realizar ou aplicar novas máquinas e adaptar ou potencializar as já conhecidas, estavam directamente condicionadas pelo desenvolvimento que a física e, posteriomente, a engenharia mecânica tiveram no país. Daí procurarmos fazer uma aproximação a esta questão no segundo ponto deste capítulo. O aproveitamento dos recursos energéticos e a aplicação da máquina a vapor foram temas centrais nos textos oitocentistas que se debruçaram sobre as ligações entre a ciência, a tecnologia e o desenvolvimento económico do país e, por isso, se procurará analisar alguns dos textos mais relevantes produzidos sobre o assunto .&#xD;
A divulgação científica foi a forma como a ciência e a tecnologia passaram da esfera de um mundo restrito para o conjunto da sociedade, influindo na cultura e mentalidade das populações e criando deste modo as possibilidades de uma maior&#xD;
9 Investigador Português em Inglaterra, vol X, n° XXXIX, Setembro de 1814, p.541.&#xD;
10 Sobre o assunto veja-se Cecília Barreira, Contributos para uma visão do conceito de progresso técnico nos modelos de desnvolvimento económico-sociais (meados de oitocentos), dissertação de mestrado, Lisboa, 1985, pp. 8, 61 e 73, e Paula Diogo, A construção de uma identidade profissional. A Associação dos Engenheiros Civis Portugueses. 1869-1937, dissertação de doutoramento, Lisboa, 1994, p.37.</summary>
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    <title>Redes Clientelares da Casa de Bragança (1560-1640)</title>
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      <name>Cunha, Mafalda Soares da</name>
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    <updated>2014-06-16T11:37:22Z</updated>
    <published>1997-01-01T00:00:00Z</published>
    <summary type="text">Title: Redes Clientelares da Casa de Bragança (1560-1640)
Authors: Cunha, Mafalda Soares da
Abstract: "Sem resumo feito pelo autor"; - Quem, pelo título do trabalho, criar expectativas sobre eventuais propostas que clarifiquem a composição e as estratégias das redes políticas que ajudaram a derrubar os Áustrias do trono de Portugal, em 1640, deve desenganar-se. Não porque o tema não pudesse ou não merecesse esse tipo de tratamento, mas tão só porque não foi esse o objecto de análise escolhido.&#xD;
Propomo-nos tratar a Casa de Bragança como um lugar institucional de promoção ou consolidação de poder. Assim, pressupõe-se que para além da existência de dispositivos formais e de práticas informais inerentes às próprias lógicas de organização do poder, e em particular do poder senhorial, houvesse também um conjunto de estratégias conscientes que direccionavam as acções da Casa. Comecemos, pois, por este último ponto.&#xD;
PRIMAZIA SOCIAL. ESTRATÉGIAS DE PRESERVAÇÃO DO STATUS&#xD;
A trajectória história dos Bragança revela, de facto, metas e comportamentos diversos entre os séculos XV e o XVI e XVII. Enquanto a fase quatrocentista foi essencialmente dirigida à acumulação de recursos e de poder através do aproveitamento, ou até mesmo da criação, de conjunturas geradoras dessas mesmas possibilidades, o período subsequente parece sobretudo visar a consolidação e manutenção das posições sociais e políticas entretanto adquiridas. A alteração do contexto histórico e dos equilíbrios internos do reino parece não lhes terem deixado margens para outro tipo de comportamentos, maugrado as opiniões de alguns dos seus cronistas.&#xD;
O século XV fora um século marcado por lutas pela composição e recomposição dos poderes, em que os diferentes actores sociais parecem ter procurado estender as fronteiras da sua acção até atingirem limites virtualmente impossíveis de serem articulados com as áreas de intervenção do centro político. Os instrumentos de ordenação do espaço social que a Coroa criou e as necessidades de legitimação do seu próprio poder decorrentes da implantação de uma nova linha dinástica só tiveram os efeitos pretendidos a&#xD;
médio prazo. A titulaçãoe as regras de precedências como instrumento de&#xD;
organização do topo do grupo nobiliárquico, o registo sistemático dos&#xD;
moradores da Casa Real como uma das formas de estruturação e&#xD;
ordenamento do espaço curial, a compilação e sistematização dos&#xD;
instrumentos legais e de intervenção jurídica concretizadas nas Ordenações&#xD;
Afonsinas e, finalmente, as múltiplas oportunidades (económicas e sociais)&#xD;
decorrentes do alargamento do espaço territorial teriam continuidade e&#xD;
impacte definit ivo sobre os t rês séculos subsequentes. Se lhes&#xD;
acrescentarmos as novidades administrativas criadas por D. Manuel&#xD;
-Reformas dos Forais, Regimentos dos ofícios, dos pesos e medidas, entre&#xD;
outros - poucas outras, com tão significativo impacto, ocorreriam antes do&#xD;
século XVIII.&#xD;
Mas, como se disse, este fluxo de dispositivos de ordenamento do&#xD;
espaço político e social contrastava com o carácter ainda difuso e fluido do&#xD;
poder monárquico. A incorporação e a assimilação desses novos instrumentos&#xD;
de organização da sociedade foram lentas, permitindo que ainda coexistissem&#xD;
com as formas tradicionais de conquista e disputa do poder nas periferias. Ou&#xD;
seja, antes de conseguirem impor uma determinada ordem, suscitaram&#xD;
resistências e oposições por parte dos diversos organismos da sociedade. O&#xD;
que, de alguma forma, explica o desencadeamento de confrontos políticos&#xD;
internos com expressão militar ainda impregnados de sabor e formatos&#xD;
medievais e tornou possível o afã brigantino na acumulação de títulos,&#xD;
jurisdições, rendas, direitos e alianças ao longo da centúria de quatrocentos.&#xD;
No século XVI, os novos recursos distributivos de que a Coroa passou a&#xD;
usufruir com a administração e a exploração comercial das áreas coloniais&#xD;
permitiram uma maior harmonização entre os esforços de intervenção&#xD;
territorial do centro e o espaço social do reino. A monarquia distanciou-se&#xD;
definitivamente de todos os seus potenciais concorrentes internos, deixando,&#xD;
assim, de recear quaisquer excessos de acumulação de poder. Podia mesmo&#xD;
permitir que alguns pólos políticos se reforçassem e consolidassem. E era esta&#xD;
liberdade de actuação conferida àqueles que tinham sido tomados como os&#xD;
seus mais directos concorrentes que melhor evidenciava a diferenciação dos espaços de intervenção e a disparidade de recursos já existente entre a Coroa e os "corpos intermédios".&#xD;
Neste novo contexto político, a Casa de Bragança direccionou a sua acção essencialmente para consolidar e reforçar as posições adquiridas. Social e simbolicamente era difícil obter maior distinção que a de ser jurado por herdeiro do trono, como ocorrera ao duque D. Jaime, logo no início do século XVI. A manutenção e continuidade da indiscutível preeminência assim reconhecida pela própria monarquia parece ter sido pois o objectivo que orientou doravante as acções da Casa Ducal. Essa intenção foi, de resto, expressamente atribuída por D. Francisco Manuel de Melo a D. Teodósio II. Escrevia esse autor que ((quando os seus íntimos o acusavam respeitosamente das conveniências que perdia {em não requerer ao soberano a herança de certos bens da Coroa pertencentes ao seu falecido irmão D. Filipe}, costumava responder que aos seus antepassados coubera o papel de juntar e acrescentar à grandeza de sua casa, e à sua pessoa, por agora só competia trabalhar no sentido de manter o que em honra e fortuna, eles tinham ganho»'. Sob formas mais ou menos diferenciadas esta convicção foi-se instalando; não é menos verdade, porém, que ajudava igualmente a criar uma aura de desinteresse face às mercês da monarquia dual que convinha à já instalada dinastia brigantina: «...Falta Falta a estes senhores a generosidade, que sobejou ao Sereníssimo Duque D. Theodosio ( ... ) o qual convidado por EIRey Filipe III. de Castella, quando veyo a Portugal na era de 620. que lhe pedisse mercês, respondeu com palavras dignas de cedro, e de laminas de ouro: Vossos e nossos avós encheraõ nossa casa de tantas mercês, que não me deixaraõ lugar para aceitar outras. Em Portugal ha muitos fidalgos pobres de&#xD;
mercês, e ricos só de merecimentos, em quem V.Magestade pôde empregar sua Real magnificencia ... &gt;&gt;I.&#xD;
A imagem de absoluta primazia social que a Casa detinha era relativamente consensual. Assim o entendiam e o expressavam eles mesmos: a) independentemente da existência de outros duques e dos destinatários das missivas, assinavam e eram identificados em textos simplesmente como o duque»'; b) e segundo as palavras de um dos próprios (no testamento do duque D. João I, em 1583) estipulava-se «Ao Duque de Barcellos meu filho mando que de tal maneira proceda sempre no serviço delRey meu Senhor que vinguem possa fazer comparaçam com elle... ». Sempre que sentiam desafiados, impunham aos menos convictos essa imagem, contribuindo para tal a força do seu poder e das suas conexões. E, em grande medida, essa capacidade advinha-lhes da conivência da própria Coroa: a rainha D. Catarina era a primeira a considerar publicamente o duque de Bragança como «o principal sr. deste reyno». . Mas veremos melhor estas questões a propósito das querelas sobre tratamentos e precedências.&#xD;
Note-se, todavia, que a preservação desse estatuto de preeminência social implicava uma permanente atenção à evolução dos contextos políticos, sociais e simbólicos. Quaisquer inovações nos modelos organizativos e de representação da Casa Real, nas formas de gestão e de administração dos recursos pela monarquia deviam (tinham de) ser acompanhados no tempo e na maior escala possível pela Casa de Bragança, sob pena de admitir o alargamento da distância entre a Casa e a Coroa e ver proporcionalmente encurtadas as distinções que a separavam da principal nobreza do Reino.</summary>
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