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    <title>DSpace Community:</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10174/30</link>
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    <pubDate>Thu, 28 May 2026 10:18:29 GMT</pubDate>
    <dc:date>2026-05-28T10:18:29Z</dc:date>
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      <title>A Biodiversidade terrestre das Ribeiras da Toutalga e São Pedro (Serpa, Sobral da Adiça)</title>
      <link>http://hdl.handle.net/10174/42053</link>
      <description>Title: A Biodiversidade terrestre das Ribeiras da Toutalga e São Pedro (Serpa, Sobral da Adiça)
Authors: Oliveira, Amália; Potes, Miguel; Novais, Maria Helena; Duque, Jorge; Costa, Maria João; Bortoli, Daniele; Penha, Maria Alexandra; Oliveira, Rui; Santos, João; Costa, Diogo; Mendes, Ana; Morais, Manuela
Editors: Morais, Manuela; Mussagy, Aidate
Abstract: O projeto INTERLAYER “The complex INTERlink of safeguarding wAter availabilitY and quality to mitigate and adapt to hydroclimatic extRemes” centra-se na forma como as tecnologias de retenção de água podem contribuir para melhorar a resiliência, a adaptação e a atenuação de fenómenos hidroclimáticos extremos, de modo que as técnicas de Slow Hydrology (SH) disponíveis sejam utilizadas em futuros Planos de Gestão de Bacias Hidrográficas. Para tal, foram criados quatro Living Labs (LL) em quatro bacias hidrográficas europeias contrastantes, para incluir e comparar diferentes regiões edafoclimáticas europeias com diferentes caraterísticas geológicas.&#xD;
Um destes Living Labs situa-se no sul de Portugal, junto à fronteira com Espanha, incidindo sobre dois rios temporários (Ribeira de S. Pedro e Ribeira da Toutalga) caracterizados pela escassez de água principalmente no período seco, mas também pela ocorrência de cheias repentinas.&#xD;
Os rios temporários (RTs) ocorrem naturalmente nas regiões áridas e semiáridas que cobrem aproximadamente 40% da superfície total (Thornes, 1977), sendo também característicos das regiões com clima mediterrânico, onde a maioria dos tributários dos grandes rios são temporários (Bonada &amp; Resh, 2013). Para Portugal estima-se que 46% das massas de água são temporárias, com especial destaque para as bacias do Sul de Portugal (Guadiana, Sado e Mira), onde os RTs cobrem 70% da rede hidrológica.Os RTs, são sistemas extremamente dinâmicos mesmo nos períodos secos, com elevada biodiversidade. São muito importantes ao nível dos Serviços de Ecossistemas porque desempenham diversos papeis ao nível do funcionamento global dos sistemas (Datry et al., 2017; Cid et al., 2020; Stubbington et al. 2020). Refira-se nomeadamente: 1) constituem importantes corredores para deslocação de vertebrados, utilizados por pequenos mamíferos, répteis e aves em zonas desérticas e mediterrânicas (Sánchez-Montoya et al., 2016); 2) são locais de residência de pequenos vertebrados terrestres, habitat húmido utilizado por lebres, ratos (Sánchez-Montoya et al., 2016); 3) constituem um habitat de espécies ainda não descritas, por exemplo diatomáceas no sul de Portugal (Morales et al., 2022, 2023); 4) são refúgio para espécies lóticas, durante os eventos extremos de seca e enxurrada, (Stubbington &amp; Datry, 2013); 5) promovem a dispersão, nomeadamente dos organismos terrestres de zonas áridas que apresentam uma maior extensão do período seco (Storfer et al., 2010); 6) desempenham um importante papel no ciclo do carbono e no processamento de matéria orgânico, quantificado em vários RTs à escala global, assim como na regulação do clima (Stubbington et al. 2020); 7) promovem a mitigação das enchentes e da escassez de água; 8) providenciam alimento para o ser humano, quer peixe, áreas agrícolas, assim como são utilizados na alimentação de gado doméstico nas regiões mais secas (Stubbington et al. 2020) mesmo em todo o Mediterrâneo incluindo o sul de Portugal; 9) proporcionam locais de lazer e de educação ambiental (Stubbington et al. 2020); 10) providenciam água para populações remotas através de poços escavados nos leitos do rio e da construção de barragens subterrâneas (Silva &amp; Porto, 1982).&#xD;
Com o intuito de estudar o valor ecológico deste Living Lab para a biodiversidade tanto aquática – macroinvertebrados e fitobentos, assim como terrestre - macroinvertebrados e vertebrados, realizaram-se amostragens e colocaram-se camaras fotográficas que documentaram a utilização por mamíferos e algumas aves.&#xD;
Colocaram-se 5 armadilhas do tipo pitfall em uma das margens de cada uma das ribeiras (Toutalga e S. Pedro) de modo a monitorizar a fauna de macroinvertebrados terrestres. Instalaram-se também 4 máquinas fotográficas, 2 em cada troço de cada uma das ribeiras de modo a filmar a utilização das ribeiras pelos mamíferos e aves terrestres. Tanto as armadilhas como as máquinas foram verificadas a cada 15 dias.&#xD;
Analisaram-se as imagens das máquinas fotográficas e obteve-se uma lista de espécies, mamíferos e aves, em cada uma das ribeiras, assim como as suas atividades comportamentais: alimentação e abeberamento, limpeza, atravessamento. Verificamos as condições do rio e o mês. Entre as espécies observadas encontram-se: cegonha negra, lontra, fuinha, texugo, veado.</description>
      <pubDate>Sun, 31 Aug 2025 23:00:00 GMT</pubDate>
      <guid isPermaLink="false">http://hdl.handle.net/10174/42053</guid>
      <dc:date>2025-08-31T23:00:00Z</dc:date>
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    <item>
      <title>Panorama comparativo das zonas úmidas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP</title>
      <link>http://hdl.handle.net/10174/42052</link>
      <description>Title: Panorama comparativo das zonas úmidas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP
Authors: Gomes, Lenora; Cerezini, Monise; Saito, Carlos; Novais, Maria Helena; Mendes, Ana; Morais, Manuela; Victória, Sónia; Mussagy, Aidate; Serrão, Eduardo; Hugulay, Albuquerque Maia; Neto, Domingos da Silva; Catinda, Marcial
Editors: Morais, Manuela; Mussagy, Aidate
Abstract: As zonas úmidas fornecem serviços ecossistêmicos essenciais para a saúde do nosso planeta e para o bem-estar humano. Proteger as zonas úmidas é crucial para a manutenção dos processos biogeoquímicos, do equilíbrio ecológico, da biodiversidade, da produtividade dos ecossistemas e dos recursos hídricos. Com o aumento da conversão e perda generalizadas e crescentes de zonas úmidas naturais em todo o mundo, esforços têm sido feitos para maior valorização desses ambientes para chamar a atenção sobre a interdependência entre a demandada de água e as zonas úmidas, aumentando a consciência de que os recursos hídricos necessários para a sociedade vêm das zonas úmidas (Unesco-Ramsar, 2013). Existem diferentes definições de zonas úmidas. Uma das mais aceitas diz que “zonas úmidas são terras onde a saturação com água é o fator dominante que determina a natureza do desenvolvimento do solo e os tipos de comunidades vegetais e animais que vivem no solo e na sua superfície. (...) ZONAS ÚMIDAS são terras de transição entre os sistemas terrestres e aquáticos, onde o lençol freático geralmente se encontra na superfície ou próximo a ela, ou o solo é coberto por uma camada rasa de água” (Cowardin et al. 1979, p.11). O mesmo documento apresenta algumas das principais características que justificam a definição acima mencionada: “A única característica comum à maioria das zonas húmidas é o solo ou substrato que está, pelo menos periodicamente, saturado ou coberto por água. A água cria graves problemas fisiológicos para todas as plantas e animais, exceto aqueles que estão adaptados à vida na água ou em solo saturado (…). Para efeitos desta classificação, as zonas úmidas devem ter uma ou mais das três características seguintes: (1) pelo menos periodicamente, o terreno é predominantemente coberto por hidrófitas; (2) o substrato é predominantemente solo saturado, não drenado; e (3) o substrato não é solo e está saturado com água ou coberto por águas rasas em algum momento durante a estação de cultivo a cada ano.” (Cowardin et al. 1979 pp.11). No passado, as perdas e a deterioração das zonas úmidas podiam ser parcialmente atribuídas a uma imagem negativa desses habitats, como pântanos, brejos e turfeiras, geralmente associados a terras fétidas, infestadas de mosquitos e, portanto, inúteis. O termo “zonas úmidas” tem sido usado para agrupar, compreender e gerenciar esses ecossistemas, mas sua natureza, valores e processos funcionais são diversos, e a delimitação é difícil devido a um continuum entre ambientes úmidos e secos, característicos de áreas de transição. Esse caráter de transição faz com que as zonas úmidas sejam extremamente ricas e complexas, possuindo características tanto de ecossistemas terrestres quanto aquáticos, além de características únicas emergentes dessa singularidade (Cherry, 2011). Os impactos das mudanças climáticas atingem as zonas úmidas de forma muito particular. As zonas úmidas são afetadas pela elevação do nível do mar, pelo branqueamento dos corais e pelas mudanças hidrológicas sendo que, ao mesmo tempo, sua degradação aumenta significativamente a liberação de carbono (Convention on Wetlands, 2021). Dados que comparam a taxa de perda de zonas úmidas entre o século XX e o início do século XXI, mostraram que as zonas úmidas naturais foram perdidas a uma taxa 3,7 vezes mais rapidamente durante os últimos 100 anos (Davidson, 2014). Embora a deterioração das zonas úmidas seja generalizada, muitas zonas úmidas (em nível global) ainda são relatadas como tendo características ecológicas “boas” em vez de “ruins” (Convention on Wetlands, 2021). Este trabalho tem como objetivo comparar a natureza e o perfil das zonas úmidas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no intuito de contribuir para a discussão sobre a evolução das medidas de proteção, a melhoria dos procedimentos de gestão e do nível de reconhecimento e implementação da Convenção Ramsar nos seus 50 anos. O presente trabalho apresentará o resultado de uma pesquisa cooperativa sobre as zonas úmidas da CPLP, com destaque para as ameaças e os principais desafios para a preservação desse ecossistema nos próximos anos. Foram assim avaliadas informações sobre as zonas úmidas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor-Leste. Localizadas em diferentes regiões do planeta, as zonas úmidas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) apresentam grande diversidade de tipologias (por exemplo, lagos sazonais, sistemas cársticos, lagoas, rios, ilhas fluviais, prados alagados, pântanos, estuários, zonas intertidais, lagoas costeiras salobras, manguezais, ilhotas vulcânicas, recifes de coral, entre outros) representando os diferentes tipos de zonas úmidas constantes no Sistema de Classificação Ramsar. Embora as zonas úmidas da CPLP apresentem diferenças em relação as tipologias, extensão, níveis de proteção e mesmo quanto ao número de sítios Ramsar reconhecidos, o ponto em comum reside no contínuo enfrentamento de inúmeros desafios para a conservação dessas áreas devido aos usos predominantes e à pressão humana. Sem um sistema robusto de monitoramento e avaliação para proteger seus ciclos ecológicos e hidrológicos, as zonas úmidas podem enfrentar e já enfrentam várias ameaças e degradação (Dube et al., 2023; Simaika et al., 2021). Apesar da sua importância, os Sítios Ramsar têm um status “hors concours”, cuja designação pode oferecer um reconhecimento glamuroso, mas na verdade depende da designação de qual das diferentes categorias de Espaços Territoriais Especialmente Protegidos cada Sítio Ramsar contém. A proteção legal dos Sítios Ramsar depende da base do regime legal aplicável ao território em análise. Os Sítios Ramsar, portanto, não são uma Área Protegida típica e seu nível de proteção depende da categoria em que estão estabelecidos (por exemplo, um Parque Nacional ou outros Espaços Territoriais Especialmente Protegidos criados por lei). Sendo essa a situação observada para a maioria das zonas úmidas da CPLP. O ano da celebração do 50º aniversário da Convenção de Ramsar (Convention on Wetlands, 2021) destaca a necessidade de proteger as zonas úmidas na busca por soluções para a crise climática. Da mesma forma, a necessidade de proteger essas áreas para garantir o abastecimento de água e, portanto, a segurança hídrica, recomenda fortemente a inclusão de ações relacionadas às zonas úmidas nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e nos planos de adaptação e redução do risco de desastres.  O importante papel das zonas úmidas na conquista dos objetivos de desenvolvimento sustentável é ainda reforçado: “Os serviços das zonas úmidas para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas, a biodiversidade e a saúde humana superam todos os outros ecossistemas terrestres. Melhorar a gestão das zonas úmidas traz benefícios para a saúde, a alimentação e a segurança hídrica...”. O valor global dos serviços ecossistêmicos das zonas úmidas, como saúde, bemestar e segurança humana, é estimado em US$ 47,4 trilhões por ano, e essas áreas são consideradas essenciais para a vida de 4 bilhões de pessoas (Convention on Wetlands, 2021). As zonas úmidas precisam ser protegidas e a definição de segurança hídrica hoje reconhecida é antropocênica em sua essência e não pode promover a conservação dessas áreas. Um conceito de segurança hídrica mais ecocêntrico, focado na proteção do ecossistema, em vez dos interesses humanos e dos serviços que ele pode prestar à sociedade, é essencial para a preservação das zonas úmidas.</description>
      <pubDate>Sun, 31 Aug 2025 23:00:00 GMT</pubDate>
      <guid isPermaLink="false">http://hdl.handle.net/10174/42052</guid>
      <dc:date>2025-08-31T23:00:00Z</dc:date>
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      <title>Segurança hídrica: origem e evolução no contexto do antropocentrismo</title>
      <link>http://hdl.handle.net/10174/42047</link>
      <description>Title: Segurança hídrica: origem e evolução no contexto do antropocentrismo
Authors: Saito, Carlos; Cerezini, Monise; Gomes, Lenora; Novais, Maria Helena; Mendes, Ana; Morais, Manuela
Editors: Morais, Manuela; Mussagy, Aidate
Abstract: ‘Segurança hídrica tornou se um termo que tem sido gradualmente usado para&#xD;
apoiar planos para enfrentar os desafios globais relacionados à água, abrangendo&#xD;
questões relacionadas à disponibilidade de recursos hídricos, à inadequação da&#xD;
qualidade, à gestão deficiente ou aos riscos de desastres (Cook Bakker, 2012).&#xD;
A&#xD;
definição de segurança hídrica varia e é necessário compreender melhor como&#xD;
o conceito de segurança hídrica foi estabelecido, como mudou ao longo do tempo&#xD;
e quais são as implicações para as políticas hídricas no avanço da conservação das&#xD;
águas.&#xD;
Este&#xD;
trabalho tem como objetivo an alisar a evolução do conceito de segurança&#xD;
hídrica e discutir suas implicações nas políticas hídricas.&#xD;
O&#xD;
conceito de segurança hídrica tem sua origem na abordagem de segurança&#xD;
nacional, que considera a segurança do Estado nação e como evitar conflitos entr e&#xD;
nações, de forma a garantir o abastecimento independente e de longo prazo de&#xD;
água para seus territórios que enfrentavam escassez hídrica ( 1984; Starr,&#xD;
1991; Jägerskog et al. 2014). O que era originalmente uma conceituação de&#xD;
segurança nacional centrada no Estado, com forte envolvimento militar) foi&#xD;
sendo ampliado e aprofundado, e as noções de segurança centradas no Estado&#xD;
começaram a ser substituídas pelo conceito de segurança humana, colocando o&#xD;
indivíduo como referente de segurança e as noções emancipatórias como objetivo das&#xD;
políticas de segurança ( 2011). Ullman ( defendeu esse&#xD;
processo de ampliação para abranger as questões que "( ameaçam&#xD;
drasticamente e por um período relativamente curto degradar a qualidade de vida&#xD;
dos h abitantes de um Estado, ou ( ameaçam significativamente restringir o leque&#xD;
de opções políticas disponíveis para o governo de um Estado ou para entidades&#xD;
privadas e não governamentais ( grupos, corporações) dentro do Estado"&#xD;
( 133). Foi nesse ce nário que pudemos encontrar o uso do termo segurança&#xD;
hídrica pela primeira vez, como o principal desafio de recursos enfrentado pela&#xD;
região do Oriente Médio e Norte da África, que em breve poderá ser elevado ao&#xD;
nível de segurança militar nas salas de guerr a dos ministérios da defesa: “O&#xD;
consumo de água para todos os usos ainda é menor do que a água disponível,&#xD;
embora a água doce seja cada vez mais escassa em toda a região. Os desafios são&#xD;
tornar a água disponível a um custo aceitável nos locais onde ela é m ais necessária&#xD;
e melhorar drasticamente a gestão dos recursos hídricos existentes” ( 1991,&#xD;
pp. 18).&#xD;
Assim,&#xD;
a água, devido à sua escassez e ao que foi chamado de estresse hídrico,&#xD;
entrou no debate sobre segurança imersa na chamada "segurança alternati va”, que&#xD;
inclui a segurança alimentar e nutricional: “1. Ameaças à civilização humana vindas&#xD;
do ambiente natural que não são causadas pela atividade humana. 2. Ameaças da&#xD;
atividade humana aos sistemas ou estruturas naturais do planeta quando as&#xD;
mudanças fe itas parecem representar ameaças existenciais para (partes da)&#xD;
civilização. 3. Ameaças da atividade humana aos sistemas ou estruturas naturais&#xD;
do planeta quando as mudanças feitas não parecem representar ameaças&#xD;
existenciais para a civilização” (Buzan et a l. 1998, pp.79 80).&#xD;
A&#xD;
evolução desse debate reforçou o papel vital da água na vida humana e nas&#xD;
aspirações de subsistência, e o apego a esta nova estrutura de segurança humana:&#xD;
“a segurança hídrica é uma condição onde há uma quantidade suficiente de água&#xD;
com uma qualidade necessária, a um preço acessível, para atender às necessidades&#xD;
de curto e longo prazo para proteger a saúde, a segurança, o bem estar e a&#xD;
capacidade produtiva de posições ( comunidades, bairros ou nações)”&#xD;
(Witter Whiteford, 1 999). O início do novo milênio trouxe uma perspectiva&#xD;
mais ampla sobre as interdependências socioambientais, e a Parceria Global pela&#xD;
Água ( apresentou outra definição para segurança hídrica: “toda pessoa tem&#xD;
acesso a água potável suficiente a um custo acessível para levar uma vida limpa,&#xD;
saudável e produtiva, garantindo ao mesmo tempo a proteção e o fortalecimento&#xD;
do meio ambiente” ( 2000). Essa nova definição aborda uma importante&#xD;
preocupação ambiental e a necessária interdependência entre a prote ção dos&#xD;
ecossistemas e a disponibilidade de água para consumo humano. Essa&#xD;
nova efervescência ambiental pode ser bem compreendida como uma&#xD;
estratégia para priorizar politicamente a questão ambiental, associando a à&#xD;
segurança, uma vez que segurança implica urgência, relevância e sobrevivência,&#xD;
levando assim a um aumento do interesse público e a demandas por rápida&#xD;
mobilização de recursos para garantir a segurança geral tão (Fischhendler e&#xD;
Nathan, 2016).&#xD;
Essa&#xD;
mudança estratégica foi seguida por outras, que fi zeram alterações e&#xD;
acréscimos à definição de segurança hídrica nos anos subsequentes: os interesses&#xD;
econômicos foram incluídos no contexto de urgência (por exemplo, na definição&#xD;
de Swaminathan, 2001, de que a segurança hídrica “envolve a disponibilidade de&#xD;
água em quantidade e qualidade adequadas, perpetuamente, para atender às&#xD;
necessidades domésticas, agrícolas, industriais e ecossistêmicas”), bem como a&#xD;
proteção contra desastres, mas ainda em sentido absoluto (por exemplo, em&#xD;
Cheng et al. 2004, de acordo com Lautze e Manthrithilake, 2012, a segurança&#xD;
hídrica deve representar o acesso à água potável a um custo acessível para permitir&#xD;
uma vida saudável e a produção de alimentos, garantindo ao mesmo tempo a&#xD;
proteção do ambiente hídrico e a prevenção de desas tres relacionados à água,&#xD;
como secas e inundações). A segurança hídrica permanece bastante&#xD;
antropocêntrica, e a proteção do meio ambiente na segurança hídrica parece ser&#xD;
buscada apenas para atender e sustentar os meios de subsistência e as necessidades&#xD;
ind ividuais de água, segurança alimentar e o potencial para atividades econômicas.&#xD;
Se&#xD;
por um lado busca se conceitualmente prover de um arcabouço capaz de&#xD;
proteger a humanidade da escassez hídrica, o crescente reconhecimento das&#xD;
mudanças climáticas lança um n ível de incerteza que torna a segurança hídrica&#xD;
mais difícil de ser assegurada. É nesse cenário que Grey e Sadoff ( associam&#xD;
as ideias de risco e incerteza à segurança hídrica, pois a variabilidade natural já&#xD;
existente será fortemente impactada pelas mudanças climáticas, levando nos a&#xD;
esperar uma redução na disponibilidade hídrica nas áreas que já enfrentam&#xD;
escassez hídrica e um aumento na variabilidade com extremos muito mais&#xD;
extremos, onde a água é fornecida por chuvas ou fluxos de rios. Eles argumen tam&#xD;
que as mudanças climáticas tornarão a segurança hídrica muito mais difícil de ser&#xD;
alcançada e mantida. Na mesma direção, Scott et al. ( propuseram uma nova&#xD;
definição unificadora: "A segurança hídrica constitui a disponibilidade sustentável&#xD;
de quan tidades e qualidades adequadas de água para sociedades e ecossistemas&#xD;
resilientes diante de mudanças globais incertas" ( 281), introduzindo a dimensão&#xD;
da resiliência no conceito de segurança hídrica.&#xD;
O&#xD;
que poderia ser uma possibilidade de reforçar uma pr eocupação ecossistêmica&#xD;
e a introdução da noção de resiliência foi sufocado nas brumas de uma nova&#xD;
definição que se tornou hegemônica. Também em 2013, a ONU Água apresentou&#xD;
uma definição para segurança hídrica que poderia tentar abranger a anterior, ao mes&#xD;
mo tempo em que representaria, de alguma forma, uma visão universal do&#xD;
termo: “Segurança hídrica é a capacidade de uma população de salvaguardar o&#xD;
acesso sustentável a quantidades adequadas de água de qualidade aceitável para a&#xD;
subsistência, o bem estar hu mano e o desenvolvimento socioeconômico, para&#xD;
garantir a proteção contra a poluição transmitida pela água e desastres relacionados&#xD;
à água, e para preservar os ecossistemas em um clima de paz e estabilidade&#xD;
política” (UN Water, 2013). Na verdade, essa defin ição passou a ser amplamente&#xD;
citada como a definição geral de segurança hídrica nos anos seguintes.&#xD;
A&#xD;
construção e a disseminação dessa visão hegemônica provavelmente&#xD;
suplantaram iniciativas promissoras de avanço do debate em torno do conceito de&#xD;
segurança hídrica acoplado à abordagem ecossistêmica, à resiliência e às soluções&#xD;
baseadas na natureza. Talvez a popularização do conceito de One Health&#xD;
( 2022) possa reabrir o debate, desde que este último também não seja&#xD;
capturado por uma visão antropocênt rica e se torne prisioneiro desta.</description>
      <pubDate>Sun, 31 Aug 2025 23:00:00 GMT</pubDate>
      <guid isPermaLink="false">http://hdl.handle.net/10174/42047</guid>
      <dc:date>2025-08-31T23:00:00Z</dc:date>
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      <title>Rios Temporários e a necessidade de um Sistema de Classificação da Qualidade Ecológica adaptado no âmbito da Diretiva Quadro da Água</title>
      <link>http://hdl.handle.net/10174/42043</link>
      <description>Title: Rios Temporários e a necessidade de um Sistema de Classificação da Qualidade Ecológica adaptado no âmbito da Diretiva Quadro da Água
Authors: Pedro, Ana; Novais, Maria Helena; Oliveira, Amália; Morais, Manuela
Editors: Morais, Manuela; Mussagy, Aidate
Abstract: Os rios temporários, também designados por rios intermitentes ou efémeros, são sistemas fluviais que não mantêm caudal superficial ao longo de todo o ano, sendo caracterizados por fases alternadas de escoamento e de seca (Larned et al., 2010). Estes sistemas são particularmente comuns em regiões de clima mediterrânico, árido e semiárido, cobrindo cerca de um terço da superfície terrestre (Datry et al., 2014). No contexto da Península Ibérica, e em particular no sul de Portugal, os rios temporários constituem a tipologia dominante em várias bacias hidrográficas, sendo sujeitos a forte variabilidade sazonal e a eventos extremos, como secas prolongadas e enxurradas intensas (Morais et al., 2009).&#xD;
A dinâmica hidrológica destes rios condiciona profundamente a sua estrutura ecológica e funcionalidade. Durante o período seco, observa-se a interrupção do escoamento, com o aumento da temperatura, redução do oxigénio e acumulação de contaminantes na água dos pegos. Estas condições induzem alterações significativas nas comunidades biológicas, nomeadamente na redução da riqueza e abundância de macroinvertebrados aquáticos (Boulton, 1989; Delucchi, 1989). Contudo, a previsibilidade estacional da seca permite o desenvolvimento de estratégias adaptativas por parte da biota, como formas de resistência ou refúgios temporários, atenuando parcialmente os impactos (Williams, 2005).&#xD;
Durante o período húmido, a ocorrência de enxurradas promove a ressuspensão e o transporte de matéria orgânica e poluentes acumulados, resultando na exportação de sedimentos para zonas a jusante e contribuindo para a degradação da qualidade da água em reservatórios e outros sistemas de retenção (Gasith &amp; Resh, 1999). A variabilidade espacial também é relevante: nas cabeceiras, os rios apresentam um regime efémero, altamente dependente de precipitação intensa; nas zonas intermédias, o regime é tipicamente sazonal; e, nos troços inferiores, o caudal tende a tornar-se permanente devido à convergência de afluentes e à presença de aquíferos (Gallart et al., 2012).&#xD;
A Diretiva Quadro da Água (DQA) — Diretiva 2000/60/CE do Parlamento Europeu e do Conselho — estabelece o enquadramento legal para a proteção e gestão integrada dos recursos hídricos na União Europeia. Esta diretiva introduz o conceito de “bom estado ecológico” como objetivo central, o qual deve ser avaliado com base em elementos hidromorfológicos, físico-químicos e biológicos. No entanto, os critérios e métodos estabelecidos foram inicialmente concebidos para rios permanentes, assumindo a presença contínua de água durante as campanhas de monitorização (Hering et al., 2010).&#xD;
Nos rios temporários, esta abordagem revela-se insuficiente. Estima-se que, durante a primavera — período de referência para a avaliação ecológica — cerca de 20% destes rios já se encontrem secos, inviabilizando a aplicação de índices tradicionais baseados em macroinvertebrados, diatomáceas ou peixes. Esta limitação reforça a urgência de desenvolver um sistema de classificação ecológica específico para rios temporários, que considere as suas particularidades hidrológicas e a sua variabilidade natural.&#xD;
Um sistema eficaz deverá integrar múltiplos indicadores que abranjam as diferentes fases do ciclo hidrológico (seca, corrente, fluxo intermitente) e que consigam distinguir entre alterações naturais e pressões antropogénicas. A monitorização adaptada à realidade destes ecossistemas poderá incluir, por exemplo, a caracterização do habitat seco, a identificação de refúgios permanentes, e o uso de bioindicadores como as diatomáceas que permanecem no leito seco (Datry et al., 2018). Além disso, a gestão dos rios temporários deve ser conduzida à escala da sub-bacia hidrográfica, promovendo a articulação entre a dinâmica hidrológica, as pressões locais (agricultura, urbanização, extração de água), e os serviços do ecossistema fornecidos por estes sistemas (Skoulikidis et al., 2016). A identificação de fatores como o uso do solo, a cobertura ripícola, o tipo de descarga pontual ou difusa e a recarga de aquíferos subterrâneos é crucial para compreender o regime de escoamento e definir medidas eficazes de gestão e reabilitação. A crescente escassez de água em várias regiões do Mediterrâneo, agravada pelas alterações climáticas, reforça a importância estratégica destes cursos de água para o abastecimento humano e a conservação da biodiversidade. Em muitos casos, a captação de água potável depende da construção de barragens ou da exploração de aquíferos associados a rios temporários. A degradação da qualidade da água nesses sistemas compromete diretamente a resiliência das comunidades dependentes (Acuña et al., 2014).&#xD;
Conclui-se, assim, que a adaptação do sistema de classificação das massas de água da Diretiva Quadro da Água à realidade dos rios temporários é fundamental para garantir a sua efetiva implementação e para promover uma gestão sustentável dos recursos hídricos. A inclusão de métricas específicas, protocolos de monitorização flexíveis e o reconhecimento do valor ecológico destes ecossistemas são passos essenciais para assegurar a proteção dos rios temporários num contexto de crescentes desafios ambientais e climáticos.</description>
      <pubDate>Sun, 31 Aug 2025 23:00:00 GMT</pubDate>
      <guid isPermaLink="false">http://hdl.handle.net/10174/42043</guid>
      <dc:date>2025-08-31T23:00:00Z</dc:date>
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