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    <title>DSpace Collection:</title>
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    <dc:date>2026-04-09T03:14:28Z</dc:date>
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  <item rdf:about="http://hdl.handle.net/10174/40881">
    <title>Os terminais da identidade</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10174/40881</link>
    <description>Title: Os terminais da identidade
Authors: Martins, José
Abstract: Propomos reler Blade Runner sobrepondo, àquela que Žižek formula, uma nova e mais primordial paralaxe, a da diferença ontológica. Se a angústia da identidade ôntica – quando suspeito de que ‘quem sou’ não coincide com ‘o que sou’ – deve ser apaziguada por uma identificação com essa mesma fractura insanável que me constitui como ‘diferença ôntica’, entretanto, a minha identidade ontológica (não enquanto ‘humano’, mas enquanto Dasein) é ou faz-se com mais do que com essa diferença ôntica, endógena ao próprio cogito originariamente fendido (em que uma mesma ipseidade fenomenológica de consciência pode corresponder à identidade de dois tipos de ‘terminal’ distintos mas indiscerníveis, o cerebral e o computacional): é uma identificação, já não (I) com os terminais da identidade (terminal neural = ‘afinal’ sou humano / terminal cibernético = ‘afinal’ sou replicante), nem sequer (II) com a condição de terminalidade da própria metafísica da ‘identidade’ (que Žižek partilha com Bukatman e com Scott), mas (III) com uma terminalidade outra, a própria condição ontológica do ser-para-a-morte. E essa idêntica diferença ontológica (o ‘não-ser’ intrínseco ao ‘ser’ de todo e qualquer ‘sou’) identifica mais cedo e mais fundo humanos e replicantes entre si e uns com os outros, porque na raiz originária de ambos, do que as suas díspares identidades ônticas os diferenciam.&#xD;
Roy Batty só iguala a sua vida à dos humanos porque, antes disso, o seu querer-viver é o de um ser-para-a-morte. Nesse ‘para’ se concentra toda a pungência ontológica da morte e toda a dramática e a narratividade de Blade Runner. Quer dizer, tudo o que nele é filosofia e tudo o que nele é cinema: tudo o que nele é imagem, nome e lugar dessa nova e terceira Diferença, que também neste ensaio se debate re-tomando a fundo o sentido de uma ‘filosofia do cinema’. &#xD;
O verdadeiro teste de Turing não é o de Voight-Kampff, mas o de Sein und Zeit: que importa o que / quem sou, e a sua difracção enganadora, se o ser desse sou é (para) o nada – e se a difracção abissal desse ‘para’ é a tensão absoluta daquilo a que chamamos uma vida? E se todos somos Roy Batty no telhado nocturno, sem sequelas.</description>
    <dc:date>2023-03-03T00:00:00Z</dc:date>
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  <item rdf:about="http://hdl.handle.net/10174/40880">
    <title>A actividade omnímoda da contemplação diferencial-ontológica: Álvaro de Campos, precursor de Heidegger</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10174/40880</link>
    <description>Title: A actividade omnímoda da contemplação diferencial-ontológica: Álvaro de Campos, precursor de Heidegger
Authors: Martins, José
Abstract: O poema de Álvaro de Campos “Ah, perante esta única realidade, que é o mistério…” expressa, em língua portuguesa (recorrendo ao verbo ‘haver’) e antes de Heidegger, a ‘grande esquecida’ da metafísica: a diferença ontológica (“perante a realidade do mistério / mistério da realidade… como tudo o mais se empequena”). Esquecida, porque nela própria oculta (“mistério” como realidade da realidade): a exegese do sentido de ‘é’, ‘ser’ e ‘haver’, labirintos uns dos outros na conjugação verbalíssima, e não nominal ou coisal, do seu paradoxo de sentidos-limiar que são limites ‘indizíveis’ do próprio sentido, em que este poema filosófico se constitui, o esclarece. &#xD;
Não são apenas os paralelismos atestáveis com os existenciais-ontológicos de Ser e Tempo (“o pavor do ultra-ser” é Stimmung ontológica e não cognição ôntica) ou a formulação do ‘haver ser’ que responde à do ‘dar-se’ (‘Es gibt Sein’) heideggeriano, os pontos de congenialidade que aqui destacamos, mas sobretudo, ao abrigo do mote do Colóquio, a transferência da Contemplação, de um acto do contemplador-subjectum (‘perante’, justamente, “esta única realidade”), para um estado de contemplatividade que pertence ao próprio acontecimento do ‘haver’ no qual aquele ‘participa misticamente’ como o ‘aí’ desse mesmo ‘haver’ – como ‘Da-sein’. Como um tal ‘aqui’ poemático, o poema enuncia, enfim, a contemplatividade ‘em si mesma’, ‘sem contemplador’, ou anterior a qualquer um que a ela queira, ou possa, aceder: ‘haver’ comporta, então, não apenas o carácter de sentido do advento (‘ser’), como o de advento manifestativo desse mesmo sentido (‘a-lêtheia’). ‘Dizê-lo’ é aqui co-incidi-lo.</description>
    <dc:date>2025-05-07T23:00:00Z</dc:date>
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  <item rdf:about="http://hdl.handle.net/10174/40876">
    <title>Sustentar a Sustentabilidade: desventuras de um mantra</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10174/40876</link>
    <description>Title: Sustentar a Sustentabilidade: desventuras de um mantra
Authors: Martins, José
Abstract: A etiqueta ‘sustentável’ carimba actualmente a circulação universal de mercadorias. Mas é, a sustentabilidade, auto-predicável – é, ela, por seu turno sustentável? Questão retórica, não porque a sustentabilidade valha zero, mas porque constitui uma sobrecarga suplementar no sistema: a da sua mentira fundadora e integral. A sustentabilidade não sustém o apocalipse – pelo contrário, sustenta-o perversamente. &#xD;
Toda a organização da matéria, da cosmologia do sistema solar ao conatus vital dos reinos biológicos, parece estruturar-se exaustivamente em camadas de sustentação. A perseverança e triunfo civilizacionais da espécie humana sustentam-se no mundo e auto-sustentam-se na sua própria inteligibilidade histórica. Todo o nosso pensamento metafísico, bem como a própria forma lógica da razão, é um pensamento do fundo e do fundamento, da origem primeira e da causa universal sobre cuja garantia tudo repousa. Estamos secretamente viciados em imortalidade. Não acreditamos na morte, no sobrevir da impossibilidade de toda a possibilidade, na insustentabilidade última da existência, do cosmos, do ser.&#xD;
Mediante uma exegese multifária das modalidades epistemológicas e das figuras ônticas da sustentação, inquire-se aqui da estruturação metafísica persistente, e perigosamente enganadora, da consciência, que a impede, como consciência contemporânea de crise cientificamente esclarecida, de assumir aquilo mesmo de que é porém perfeitamente ciente, como se ao conhecimento não bastasse conhecer, mas precisasse ainda de acreditar. Se a consciência está ciente da iminência apocalíptica, a sua estrutura biológica e metafísica profunda impede-a de acreditar no que todavia sabe, como se apenas a fé cognitiva adquirisse propriamente o saber.&#xD;
Desta paralaxe fatal, menos fractura entre consciência e realidade do que cisão interna da própria consciência, decorrem todos os dédalos e impasses do carrossel da morte em que a humanidade planetária gira sonâmbula, numa precessão do futuro que traz o efeito – o ano 2100 – a ser contemporâneo da causa determinista que ‘já o produziu’… em 2020-2030. O tempo causal não é o tempo cronológico: onde este dilata e procrastina, aquele contrai e angustia. A ética do imperativo ecológico não se limita, pois, a ser uma ética ‘da máxima da acção’, diante da possibilidade ‘que se abre’, mas uma ética desesperada do já de uma outrossim acção máxima, diante do necessário inescapável.</description>
    <dc:date>2023-05-07T23:00:00Z</dc:date>
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  <item rdf:about="http://hdl.handle.net/10174/40867">
    <title>Alterações climáticas: o hiperfacto face à evasiva política e à consciência passiva da humanidade</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10174/40867</link>
    <description>Title: Alterações climáticas: o hiperfacto face à evasiva política e à consciência passiva da humanidade
Authors: Martins, José
Abstract: A experiência cosmofânica do astronauta Borman inaugurou a consciência da condição a-sustentada do ‘pequeno berlinde azul’ no espaço sem fundo que o engole. Toda o empreendimento de sustentabilidade sobre o solo terrestre supõe (sob forma denegada) esse abismo infinito de uma precariedade tão física quanto metafísica. A esse primeiro hiperfacto constitutivo vem adicionar-se um outro, adventício: toda a miríade de factualidades terrestres se encontra doravante repassada por uma hiperfactualidade virtual e omnipresente – o lento apocalipse ecossistémico em curso –, que naquelas se actualiza. A crise ecológica redobra-se numa crise da consciência que a denega, e que constitui, não um mero fenómeno reactivo (mental) face à primeira (real), mas uma segunda camada de realidade, que de resto reata com a própria causalidade originária que em primeiro lugar desencadeou historicamente a crise: a ilimitada voragem expansiva da espécie biológica humana no seu alastramento territorial à totalidade do orbe. Esse o terceiro hiperfacto (aquele que, não dotado de factualidade própria, é porém o factualizador capital de todos os outros): tal como a Terra – o ‘solo da realidade’ –  não tem chão ela própria (1º hiperfacto); e tal como tudo o que hoje ocorre e parece estabelecido em si próprio é regido pelo seu coeficiente de periclitância apocalíptica (2º hiperfacto); assim também a crise ecológica global tem a sua factualidade na hiperfactualidade de uma consciência que inteiramente detém nela mesma aquilo que de crise há na ‘crise’. A modalidade privilegiada dessa larvar ‘crise da crise’ é, justamente, o mantra da ‘sustentabilidade’, superstição verbal da esconjuração mágica da realidade pela etiqueta incantatória. O imperativo universal, o desvairamento hipertrófico da ‘sustentabilidade’, se bem que motivado por todos os planos que nos constituem, dos biofísicos aos éticos e aos metafísicos, configura todavia a mais perigosa, e a derradeira, das demências, que nos mantém descrentes daquilo que sabemos, no pavor paralisante diante do ‘impossível’.</description>
    <dc:date>2023-11-16T00:00:00Z</dc:date>
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