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    <title>Ter uma Visão Global : Identificação, mapeamento e estudo das principais anomalias nas pinturas murais de Almada como guias para a sua conservação futura | Getting the Bigger Picture: Diagnosing, Mapping and analysing the Anomalies in Almada’s Mural Painting forfuture Conservation</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10174/41921</link>
    <description>Title: Ter uma Visão Global : Identificação, mapeamento e estudo das principais anomalias nas pinturas murais de Almada como guias para a sua conservação futura | Getting the Bigger Picture: Diagnosing, Mapping and analysing the Anomalies in Almada’s Mural Painting forfuture Conservation
Authors: Valadas, Sara; Cardoso, Inês; Dias, Luís; Costa, Mafalda; Cardoso, Ana; Frade, José Carlos; Gil, Milene
Abstract: Da inspeção inicial em campo resultaram uma série de fichas&#xD;
relatório e um glossário visual das&#xD;
anomalias detetadas. Entre os problemas identificados, destacam se as perdas de adesão, com&#xD;
diferentes graus de severidade, e as perdas de coesão frequentemente associadas. Constatou&#xD;
se que algumas camadas cromáticas são mais afetadas, sobretudo os pigmentos verdes,&#xD;
amarelos, castanhos e pretos. Estas observações corroboram os registos das décadas anteriores&#xD;
e acrescentam novas evidências sobre os processos de envelhecimento e degradação dos&#xD;
adesivos e materiais de retoque aplicados em intervenções passadas.&#xD;
Face aos resultados obtidos, foram formuladas três hipóteses para a origem dos fenómenos de&#xD;
deterioração: 1) os materiais e técnicas de pintura empregues pelo artista, 2) a infiltração de&#xD;
água e os ciclos de cristalização e dissolução de sais, e 3) os materiais utilizados nas&#xD;
intervenções de conservação e restauro. Nesta apresentação, dar se á especial enfoque aos&#xD;
pontos 2 e 3, dada a sua influência no estado das pinturas em 2020, 2021 e 2022, e aos&#xD;
resultados que culminaram numa intervenção de emergência num dos murais da Gare Marítima&#xD;
de Alcântara. Adicionalmente, abordar se á a presença e o impacto da biocolonização nas&#xD;
superfícies pintadas, um fator cada vez mais relevante nos processos de deterioração.&#xD;
As análises de Sequenciação de Nova Geração (NGS) identificaram o&#xD;
microbioma&#xD;
predominante nestas obras de arte. Foram detetados vários géneros chave, incluindo&#xD;
Cellulomonas , Methylobacterium , Rubrobacter , Penicillium , Cladosporium , Aspergillus e&#xD;
Stachybotrys , todos reconhecidos pelo seu potencial biodeteriogénico&#xD;
Micrografias obtidas por microscopia eletrónica de varrimento (SEM) forneceram evidências&#xD;
visuais da ação de fungos filamentosos, responsáveis por danos mecânicos nas pinturas. O&#xD;
estudo revelou ainda que materiais orgânicos ricos em carbono, quer provenientes da aplicação&#xD;
original do artista, quer de tratamentos de conservação anteriores, desempenharam um papel&#xD;
crucial na promoção do crescimento microbiano. Esta conclusão é corroborada por imagens de&#xD;
SEM, que evidenciam colonização microbiana em áreas ricas em material orgânico, e por dados&#xD;
de sequenciação metagenómica , que identificaram microrganismos decompositores de matéria&#xD;
orgânica, mesmo em baixas abundâncias. Devido à sua diversidade metabólica, os&#xD;
microrganismos conseguem degradar facilmente moléculas orgânicas, extraindo delas a&#xD;
energia e os compostos estruturais necessários ao seu crescimento.&#xD;
Nas pinturas analisadas, a principal fonte de carbono identificada nas superfícies pictóricas foi o&#xD;
Gelvatol ®, um álcool polivinílico (PVA) aplicado por nebulização durante os tratamentos de&#xD;
conservação e restauro da década de 1970, com o intuito de estabilizar camadas de tinta em&#xD;
destacamento ou pulverulentas. No entanto, não se pode excluir a possível utilização de&#xD;
aglutinantes ou revestimentos orgânicos pelo próprio Almada Negreiros. Embora a&#xD;
documentação oficial classifique as pinturas da gare marítima da Rocha do Conde de Óbidos&#xD;
como frescos, os estudos recentes sugerem que o artista pode ter recorrido a técnicas que vão&#xD;
além da execução tradicional a fresco. Análises por Espectroscopia de Infravermelho com&#xD;
Transformada de Fourier (FTIR), realizadas em 2023, revelaram a presença de óleo, proteína e&#xD;
oxalatos, tanto em camadas pictóricas deterioradas como bem preservadas, juntamente com&#xD;
vestígios de PVA. Face a estes resultados, recomenda se fortemente a implementação de&#xD;
estratégias de mitigação cuidadosamente selecionadas.</description>
    <dc:date>2025-01-01T00:00:00Z</dc:date>
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  <item rdf:about="http://hdl.handle.net/10174/41912">
    <title>Trazidos à Luz: Os Pigments en poudre pour la fresque da LEFRANC Paris encontrados no Atelier de Almada Negreiros | Brought to Light: The Pigments en poudre pour la fresque by LEFRANC Paris found in Almada Studio</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10174/41912</link>
    <description>Title: Trazidos à Luz: Os Pigments en poudre pour la fresque da LEFRANC Paris encontrados no Atelier de Almada Negreiros | Brought to Light: The Pigments en poudre pour la fresque by LEFRANC Paris found in Almada Studio
Authors: Costa, Mafalda; Cardoso, Ana; Gil, Milene
Abstract: Este estudo examina os pigmentos em pó rotulados “&#xD;
Couleurs pour la Fresque ” do fabricante&#xD;
LEFRANC Paris, descobertos no atelier de Almada Negreiros. Esses pigmentos, recuperados em&#xD;
2018, oferecem uma perspectiva única sobre os materiais utilizados por Almada Negreiros na&#xD;
produção de suas obras e permitem um entendimento mais profundo do seu processo artístico&#xD;
no contexto dos desenvolvimentos da tecnologia de pigmentos no início do século XX.&#xD;
Entre as aproximadamente quarenta latas seladas e enferrujadas, que ostentavam a marca&#xD;
comercial LEFRANC Paris, foram identificados trinta e três pigmentos diferentes [1]. A maioria&#xD;
dos recipientes apresentava sinais de terem sido abertos, e as quantidades variáveis de&#xD;
pigmentos encontradas no seu interior indicam que foram utilizados por Almada Negreiros [1].&#xD;
Embora a data de aquisição desta impressionante coleção de pigmentos ainda seja&#xD;
desconhecida, o elevado número de latas sugere que a compra poderá ter ocorrido no final da&#xD;
década de 1930 para as comissões das pinturas murais monumentais que Almada Negreiros&#xD;
criou no Edifício da DN e nas estações marítimas de Lisboa.&#xD;
Os pigmentos em pó foram analisado utilizando colorimetria e espetrofotometria, microscopia&#xD;
de luz polarizada, fluorescência de raios X portátil (p FRX) e difração de raios X (DRX),&#xD;
complementados por espetroscopia de infravermelhos com transformada de Fourier (µ FTIR),&#xD;
espetroscopia de infravermelhos com transformada de Fourier com reflexão total atenuada&#xD;
(ATR FTIR) ou espectroscopia de micro Raman , sempre que a identificação do pigmento&#xD;
permanecia incerta [1,2]. Esta abordagem multi analítica facilitou a identificação de pigmentos&#xD;
utilizados tradicionalmente na produção de pinturas a fresco e de materiais sintéticos mais&#xD;
modernos, ilustrando a versatilidade da paleta de Almada Negreiros, bem como a sua natureza&#xD;
inovadora e experimental.&#xD;
Os pigmentos à base de ferro nas tonalidades vermelha, amarela, laranja e castanha formam&#xD;
uma componente significativa da paleta de Almada Negreiros. Pigmentos naturais de terra,&#xD;
como ocres e sienas (e.g., LF6, LF19), foram identificados a par de pigmentos sintéticos Mars&#xD;
(e.g., LF12, LF15). Os primeiros foram historicamente os principais pigmentos usados em&#xD;
pinturas murais a fresco devido à sua estabilidade química em ambientes alcalinos. No entanto,&#xD;
os pigmentos Mars , desenvolvidos nos séculos XVIII e XIX, ofereciam maior poder de&#xD;
tingimento, textura de grão fino e maior pureza química em comparação com seus homólogos&#xD;
naturais. A análise XRD destes pigmentos revelou composições que incluíam hematite (Fe 2 O 3 ) e&#xD;
goethite ( FeOOH ), que contribuíram para as suas respectivas tonalidades vermelhas e amarelas.&#xD;
Pigmentos à base de cádmio (sulfeto de cádmio e&#xD;
sulfosseleneto de cádmio), com tonalidades&#xD;
amarelas, laranjas e vermelhas, também foram encontrados entre os pigmentos recuperados do&#xD;
estúdio de Almada Negreiros [1,2]. Os pigmentos de cádmio, comercializados a partir de&#xD;
meados do século XIX no caso dos amarelos e a partir do século XX no caso dos laranjas e&#xD;
vermelhos, eram valorizados pelas suas tonalidades vibrantes e elevada opacidade. No entanto,&#xD;
estes pigmentos suscitavam problemas de estabilidade no meio alcalino das pinturas a fresco,&#xD;
particularmente os que continham enxofre livre ou otavite (CdCO 3 ) [3].A&#xD;
otavite , identificada em todos os pigmentos amarelos e laranja (LF 1, LF 2, LF 3, LF 25 e LF 26)&#xD;
por espectroscopia de micro Raman , µ FTIR e DRX (Gil et al., 2024; Costa et al., in press ), era&#xD;
frequentemente adicionada como material branqueador, o que conduzia ao desvanecimento&#xD;
da cor no meio alcalino do fresco [3].&#xD;
Esta coexistência de pigmentos naturais e sintéticos recentemente disponíveis com tonalidades&#xD;
vermelhas, amarelas, alaranjadas e castanhas na coleção de Almada Negreiros sublinha a sua&#xD;
capacidade de adaptar materiais tradicionais a par de pigmentos modernos para utilização em&#xD;
pintura mural [1,2].&#xD;
Os pigmentos azuis e verdes identificados na coleção de pigmentos ilustram ainda mais a&#xD;
diversidade da paleta de Almada Negreiros. Azul ultramarino (LF16 e LF28) foi identificado por&#xD;
µ FTIR e DRX. Isso é particularmente notável no caso do pigmento FF28, uma vez que o rótulo&#xD;
do recipiente sugeria que o pigmento era azul de cobalto [1]. Por outro lado, a análise DRX do&#xD;
pigmento LF 29, rotulado como bleu de pompei , permitiu a identificação de um óxido de&#xD;
alumínio cobalto, muito provavelmente azul de cobalto, e branco de zinco [1]. Os pigmentos&#xD;
verdes LF22 e LF30, rotulados de vert à la chaux , e que se pensa serem preparações feitas com&#xD;
terras verdes tingidas com lacas verdes derivadas do verde naftol B [4] ou preparações à base&#xD;
de ftalocianina de cobre [5], revelaram inconsistências intrigantes. Enquanto LF30 foi&#xD;
identificado como viridian , um pigmento à base de crómio por ATR FTIR, LF22 parece ser um&#xD;
pigmento de terra que pode ter perdido a sua tonalidade verde devido à degradação das lacas&#xD;
verdes orgânicas utilizadas no seu fabrico [1]. Estes resultados apontam para a reutilização de&#xD;
recipientes ou para inconsistências nos processos de fabrico da LEFRANC Paris, adicionando&#xD;
complexidade à narrativa da utilização de pigmentos no início do século XX [1,2].&#xD;
O estudo também estabelece ligações entre os pigmentos recuperados do atelier de Almada&#xD;
Negreiros e as suas pinturas murais monumentais previamente analisadas no âmbito do projeto&#xD;
ALMADA. A estreita ligação encontrada entre os pigmentos do atelier e as suas obras murais de&#xD;
grande escala apoia a hipótese de que os pigmentos de LEFRANC Paris foram fundamentais&#xD;
para moldar as caraterísticas cromáticas e técnicas dos seus frescos [1,2].</description>
    <dc:date>2025-01-01T00:00:00Z</dc:date>
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  <item rdf:about="http://hdl.handle.net/10174/41911">
    <title>Um Vislumbre do Modus operandi de Almada Negreiros como Pintor Muralista: Detalhes Técnicos e materiais | A Glimpse into Almada’s Modus Operandi as a Mural Painter: Technical and Material details</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10174/41911</link>
    <description>Title: Um Vislumbre do Modus operandi de Almada Negreiros como Pintor Muralista: Detalhes Técnicos e materiais | A Glimpse into Almada’s Modus Operandi as a Mural Painter: Technical and Material details
Authors: Gil, Milene; Cardoso, Inês; Palmeirim, Simão; Costa, Mafalda; Helvaci, Yigit; Mirão, José
Abstract: Compreender o modus&#xD;
operandi de Almada Negreiros como pintor muralista constituiu um&#xD;
dos principais desafios do projeto. Sendo autodidata e trabalhando frequentemente de forma&#xD;
isolada, Almada Negreiros dificultou a transmissão do seu conhecimento técnico. A ausência de&#xD;
registos escritos do artista sobre a sua aprendizagem, influências, materiais utilizados, técnicas&#xD;
de transposição dos desenhos para as paredes e técnicas pictóricas utilizadas impulsionou uma&#xD;
pesquisa documental mais alargada e reforçou a necessidade da realização das campanhas de&#xD;
campo e de laboratório. A estes aspetos, acresciam as preocupações expressas em relatórios de&#xD;
brigadas de intervenção de conservação e restauro do então Instituto José de Figueiredo,&#xD;
datados da década de 1970, que identificavam fragilidades nos materiais e técnicas empregues.&#xD;
A investigação partiu de indícios fragmentados e dispersos, cuja recolha e análise permitiram&#xD;
reconstituir, progressivamente, uma visão global dos seus processos de trabalho. Nesta&#xD;
apresentação, são expostos alguns dos resultados obtidos, que revelam diferenças entre&#xD;
conjuntos pictóricos, particularidades técnicas e materiais do artista, evidenciando o seu caráter&#xD;
pragmático e experimentalista. Entre os achados, destacam se:&#xD;
a) A documentação sobre pintura mural no espólio de Almada Negreiros&#xD;
. Pela primeira vez,&#xD;
foram encontradas potenciais evidências do seu conhecimento sobre as técnicas de pintura a&#xD;
fresco e a seco. Entre a bibliografia encontrada, e reunida em 2021, sobressaem três manuais&#xD;
de pintura mural publicados entre 1931 e 1946 da autoria de Paul Baudouin (França) [1],&#xD;
Giuseppe Ronchetti (Itália) [2] e Costin Petresco (França) [3]. A pintura mural a fresco é uma&#xD;
técnica de pintura particularmente exigente que requer um planeamento meticuloso e não&#xD;
permitindo correções á posteriori. Dado que Almada era um artista autodidata, estes&#xD;
documentos representaram o ponto de partida para a compreensão da sua possível&#xD;
abordagem à execução mural. Para além do seu valor documental, estas descobertas&#xD;
evidenciam os interesses do artista e fornecem pistas sobre as suas possíveis influências.&#xD;
b) Diferenças na composição dos rebocos&#xD;
. Nesta apresentação, é feita a comparação entre o&#xD;
mural Planisfério pintado em 1939 no antigo hall de receção ao público do edifício Diário de&#xD;
Notícias (DN) e as os murais pintados em 1949 na Gare Marítima da Rocha do Conde de&#xD;
Óbidos [4 6]. Em ambos os casos, foram utilizadas duas camadas de reboco à base de cal&#xD;
calcítica, mas com diferenças no tipo de agregados empregues. No edifício DN, seguiu se a&#xD;
tradição oriental, com o uso de fibras orgânicas (como palha e possivelmente cânhamo)&#xD;
misturadas com areia. Já na Gare Marítima da Rocha, os rebocos seguem uma tendência mais&#xD;
ocidental, com o uso de areias no reboco interno ( arrício ) e predominância de carbonatos de&#xD;
cálcio no reboco superficial ( intonaco&#xD;
c) Técnicas de transposição dos desenhos para as paredes&#xD;
. Almada Negreiros recorreu a&#xD;
diferentes metodologias para transferir os cartões à escala real das suas composições para as&#xD;
superfícies de reboco [4 6]. Entre os processos identificados, destaca se a inovação do estresido&#xD;
inciso diretamente na argamassa fresca. Tradicionalmente esta técnica consiste em perfurar,&#xD;
com um instrumento pontiagudo, os contornos do desenho esboçado numa folha de papel&#xD;
vegetal, criando assim uma série de pequenos furos. A reprodução do desenho na parede é&#xD;
conseguida ao bater um saquinho de gaze cheio de pigmento de carvão ou outro pigmento em&#xD;
pó sobre os contornos perfurados. O pigmento atravessa os furos e deposita se na superfície do&#xD;
reboco. Em vez disso, ao gravar diretamente os contornos do desenho na superfície fresca do&#xD;
reboco, Almada negreiros conseguiu acelerar a transferência da composição para as paredes&#xD;
da Gare Marítima da Rocha. Inovadora na pintura mural, esta técnica é um exemplo claro do&#xD;
carácter experimentalista e pragmático do artista.&#xD;
d) Detalhes da execução dos rebocos e técnicas de pintura&#xD;
. A técnica de pintura a fresco exige&#xD;
a aplicação dos pigmentos numa superfície de argamassa à base de cal ainda húmida. Uma das&#xD;
características distintivas desta técnica de pintura é a execução faseada por secções diárias de&#xD;
reboco fresco ( giornate em terminologia italiana )), cuja dimensão e formato variam em função&#xD;
da complexidade da composição, do número de executantes e das condições ambientais.&#xD;
A identificação destas secções, visíveis com iluminação rasante, constitui um dos principais&#xD;
indícios da utilização desta técnica. Este método foi identificado nas pinturas murais estudadas&#xD;
de Almada Negreiros, com exceção das da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima em&#xD;
Lisboa. Embora a intenção de pintar a fresco pareça evidente, é impossível determinar com&#xD;
precisão a extensão realmente executada nesta técnica, devido às dimensões das secções&#xD;
identificadas que ultrapassam por vezes dois metros de comprimento ou de altura e à&#xD;
fragilidade de várias das camadas analisadas [5,7,8]. Esta questão da técnica empregue é&#xD;
particularmente relevante nas pinturas murais da Rocha do Conde de Óbidos, onde várias&#xD;
camadas apresentam se mates e com brilho. Diferentes hipóteses foram levantadas e&#xD;
continuam a ser analisadas [4,5].&#xD;
A ausência de documentação técnica específica reforçou a importância desta investigação para&#xD;
a compreensão dos processos técnicos e materiais empregues por Almada Negreiros. O uso de&#xD;
técnicas de imagem e caracterização laboratorial das superfícies murais aprofundou o&#xD;
conhecimento sobre a metodologia do artista, contribuindo para a preservação e valorização&#xD;
do seu património pictórico. Este estudo consolidou a relevância das suas práticas no contexto&#xD;
da pintura mural do sec. XX, tanto ao a nível nacional e internacional, sublinhando a&#xD;
necessidade de prosseguir a investigação sobre as especificidades dos processos construtivos&#xD;
por ele aplicados.</description>
    <dc:date>2025-01-01T00:00:00Z</dc:date>
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  <item rdf:about="http://hdl.handle.net/10174/41910">
    <title>Juntando as Peças: Levantamento Documental das Encomendas Artísticas de Almada Negreiros e dos Processos de Restauro Realces e Descobertas | Putting the Pieces Together: Documentary Survey of Almada Negreiro’s Artistic Commissions and Restoration Processes Highlights and Discoveries</title>
    <link>http://hdl.handle.net/10174/41910</link>
    <description>Title: Juntando as Peças: Levantamento Documental das Encomendas Artísticas de Almada Negreiros e dos Processos de Restauro Realces e Descobertas | Putting the Pieces Together: Documentary Survey of Almada Negreiro’s Artistic Commissions and Restoration Processes Highlights and Discoveries
Authors: Cardoso, Inês; Pereira, Claudia; Casara, Giorgia; Palmeirim, Simão; Gil, Milene
Abstract: Esta apresentação sintetiza o trabalho realizado na Tarefa 1&#xD;
Pesquisa documental sobre a&#xD;
produção artística de Almada Negreiros, que abrange cinco núcleos de pintura mural&#xD;
considerados no Projeto ALMADA: 1) Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (1938), 2)&#xD;
Edifício do Diário de Notícias (1939), 3) Estações Marítimas de Alcântara (1943 45) e 4) da&#xD;
Rocha do Conde de Óbidos (1946 49) e 5) Escola Básica Patrício Prazeres (1956).&#xD;
A investigação incidiu sobre arquivos históricos e bibliotecas de Lisboa, reunindo cerca de 300&#xD;
processos documentais relativos aos cinco núcleos, num total de 15100 documentos textuais,&#xD;
1600 fotografias, 120 desenhos, 1100 periódicos e 21 bobines de microfilmes dos jornais&#xD;
diários publicados entre 1933 e a atualidade. Esta documentação permitiu reconstruir a história&#xD;
das encomendas, os processos de execução e as sucessivas intervenções de conservação desde&#xD;
os anos 1970.&#xD;
A correspondência de Almada Negreiros e Sarah&#xD;
Affonso , conservada no CEDANSA (IHA FCSH&#xD;
NOVA), revelou aspetos cruciais do desenvolvimento dos trabalhos na Igreja de Nossa Senhora&#xD;
do Rosário , mas também o relato do artista sobre a liberdade criativa concedida por Pardal&#xD;
Monteiro na obra do Diário de Notícias [&#xD;
Para a&#xD;
Gare Marítima de Alcântara , destaca se uma carta de Almada (27/05/1942) a Castro&#xD;
Fernandes, referindo a ordem direta do Ministro Duarte Pacheco para a adjudicação do&#xD;
trabalho [2]. Documentos do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e da Direção Geral dos&#xD;
Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) (presente no Forte de Sacavém) comprovam a&#xD;
recomendação formal do artista, bem como o processo de negociação do orçamento e das&#xD;
condições contratuais para as pinturas realizadas na Gare Marítima da Rocha do Conde de&#xD;
Óbidos [&#xD;
No caso da&#xD;
Escola Básica Patrício Prazeres , foi localizada correspondência entre Almada e José&#xD;
de Lencastre e Távora (1955), onde o artista propõe a execução de dois cartões a fresco [4].&#xD;
Foram também identificados contratos relativos à adjudicação da obra e à assistência técnica&#xD;
para os rebocos [5, 6].&#xD;
A pesquisa revelou ainda documentação detalhada sobre o&#xD;
estado de conservação e as&#xD;
intervenções realizadas (Arquivo da DGEMN e Arquivo de Conservação e Restauro do&#xD;
Laboratório José de Figueiredo). Os primeiros alertas para a degradação das pinturas da Gare&#xD;
Marítima de Alcântara surgem em 1956, seguidos de sucessivos pedidos de restauro [7]. No&#xD;
início da década de 70, os relatórios do Instituto José de Figueiredo documentam Brigadas de&#xD;
Inspeção e de Trabalho, testes de fixação da policromia, com registo dos produtos e métodos&#xD;
utilizados, resultados de estudos laboratoriais e relatórios das intervenções [8 14]. Inspeções&#xD;
periódicas mantiveram se até 2014 nas Gares Marítimas, abrangendo também os restantes&#xD;
núcleos [15 20], com destaque para as intervenções nas pinturas murais do Diário de Notícias&#xD;
(1985 87) [16 19] e da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (1973 85) [15].&#xD;
Este levantamento documental evidencia a&#xD;
importância da investigação histórica para a&#xD;
conservação do património . O conhecimento sobre os materiais e técnicas empregues por&#xD;
Almada, bem como sobre os tratamentos realizados, contribui para a definição de&#xD;
metodologias de conservação mais fundamentadas. Além disso, permite avaliar o desempenho&#xD;
dos produtos aplicados em contexto real, fornecendo dados que complementam estudos&#xD;
laboratoriais.&#xD;
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